Existem filmes que são feitos porque precisam contar uma história. Sequências que são produzidas para dar continuidade a tramas. Reboots que apresentam novas versões com um sabor diferente a uma nova geração. E aí existem filmes que são feitos pra faturar uma grana em cima de algo que todo mundo conhece. Infelizmente, Exterminador do Futuro Gênesis se encaixa na última categoria.

Ele não é um filme RUIM, mas sabe aquele filme que tá ali só pra continuar uma série? Então.

Altas confusões temporais

O Exterminador do Futuro Gênesis pega o último filme da franquia, aquele com o Batman, ignora completamente a sua existência e parte do princípio que somente os dois primeiros longas da série existiram.

Isso poderia ser fantástico, não fosse o caso que os acontecimentos da nova produção basicamente eliminam a existência dos dois primeiros filmes, fazendo do novo longa o equivalente de você ter uma caganeira ao jantar com seus sogros, jogar tudo pro alto e simular um infarto. Isso não fez sentido algum, e é exatamente isso o que acontece com Exterminador do Futuro Gênesis.

O filme começa quase que exatamente do jeito que todo filme da série: Skynet foi ativada, bilhões de pessoas morreram, máquinas dominam o mundo, uma resistência é criada, o seu líder, John Connor, sabe mais do que deveria, mas é porque a mãe dele contou tudo porque um sujeito do futuro contou.

Em Gênesis, vemos mais uma vez o John Connor mandar Kyle Reese pra fazer um amorzinho gostoso com a sua mãe, engravidá-la, o gerando no processo, e morrer 48 horas depois. Vale lembrar que ele não conta pro Reese nada disso. Basicamente, John Connor é um baita cuzão.

Exterminador do Futuro (4)

O que muda a trama toda é que, em vez de Reese encontrar uma Sarah Connor inocente e sem saber o que está acontecendo, ele conhece uma Sarah Khaleesi, dando tiro de escopeta na cara de um T-1000 que aparece em 1984, e do lado de um T800 envelhecido.

Por algum motivo, nunca bem estabelecido no filme, um T-1000 foi enviado para matar a Sarah quando ela tinha nove anos. Após matar seus pais, o exterminador é destruído por esse T800, que acaba criando a menina.

Em momento algum é falado quem mandou os exterminadores para aquela época ou porque diabos as máquinas não fizeram isso antes. Eles têm uma maldita máquina do tempo. VOLTA PROS PRIMÓRDIOS DO SÉCULO PRA ACABAR COM OS AVÓS DA SARAH CONNOR! EXTERMINADOR NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL! Esse filme é mais legal que esse aí, mas enfim.

Por ter essas mudanças, Gênesis acaba por apresentar uma linha temporal em que tudo o que você viu na série é jogado pela janela para reapresentar a franquia para um novo público, em vez de ter que considerar tudo o que veio antes.

A ideia de fazer isso é boa, só que a execução é absurdamente confusa e sem sal. No final das contas, todos os acontecimentos parecem jogados na tela, na esperança de que você ignore os furos e/ou cretinices e siga em frente.

Mas tem a Khaleesi

O elenco de O Exterminador do Futuro Gênesis, a primeira vista, não é ruim. Jason Clarke, o novo John Connor, é um ótimo ator, mas que vendo entrevistas do cara me parece que ele é uma pessoa muito mais legal do que o personagem permite.

Jai Courtney, além de ter um nome meio ridículo, é basicamente o novo Sam Worthington. Atua tão bem quanto um bonecão de posto (o que fica maluco, fica doidão, que vai mexendo os braços e o popozão). Só que, assim como o Clarke, mostra mais carisma em entrevista do que em todo o filme. E ele vai ser o Capitão Bumerangue em Esquadrão Suicida, então a ridiculice já tá garantida.

Exterminador do Futuro (1)

Como Sarah Connor, Emilia Clarke até que faz um trabalho bacana, sendo basicamente a Khaleesi com sotaque da Califórnia. Tem horas que ela parece uma menininha correndo no meio de tiros e explosões, mas na cena seguinte ela parece uma mulher decidida e tudo mais. Não sei se era esse o objetivo dos envolvidos, mas foi isso o que aconteceu.

E aí, temos a melhor coisa de todo o filme.

E o Schwarzenegger ainda é legal pra caramba

No papel do Exterminador bonzinho, Arnold Schwarzenegger consegue colocar um pouco mais de vida no filme, por mais absurdo que isso pareça.

O seu Terminator, chamado de Pops pela Sarah,se tornou uma espécie de figura paterna pra moça, agindo como o paizão robótico do filme. Apesar de parecer uma ideia cretina, ela funciona relativamente bem na história.

Exterminador do Futuro (2)

O grande problema é que ele não aparece tanto quanto deveria, se tornando um coadjuvante mais interessante que os personagens principais. Mas tem a Khaleesi.

Conclusão

No final das contas, O Exterminador do Futuro: Gênesis não é um filme bom. Só que ele também não é um filme ruim. Ele se perde dentro da própria mitologia mais de uma vez (apesar de os dois primeiros filmes também derraparem um pouco nisso), o Jai Courtney tem o carisma de um poste e o Schwarzenegger aparece pouco.

PORÉM, ele tem umas cenas de ação legais, um personagem coadjuvante com potencial (e vivido pelo J.K. Simmons, que já confirmou ter assinado para mais sequências), e a Khaleesi. Não é um filme que te ofende, mas você percebe com facilidade que ele se perde ao tentar deixar brechas a serem preenchidas em novos filmes.

Um filme pipocão meio bobo, mas que, quem sabe, pode ser o início de algo legal mais pra frente. Por enquanto, fica só sendo bobo. Mas tem a Khaleesi. <3

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