Quando foi anunciado, Esquadrão Suicida não deveria ser um filme do tamanho que acabou chegando aos cinemas. Ele parecia muito mais uma tentativa da Warner de fazer algo estranho, claramente no embalo da fórmula que deu muito certo para a Marvel e seu Guardiões da Galáxia. Só que o lançamento PODRE de Batman vs Superman acabou por transformar o filme sobre vilões tentando salvar o mundo na possível virada do Universo DC nos cinemas.

Pois bem, é possível dizer que sim, Esquadrão Suicida é o filme mais divertida desse Universo Cinematográfico da DC. Isso também não significa que ele seja um filme maravilhoso.

O bom

A melhor maneira de falar o que achei de Esquadrão Suicida é falar das coisas que eu realmente gostei nele. Apesar de ter alguns personagens desnecessários e que estão ali só pra aparecer mesmo, é possível dizer que as versões de Pistoleiro, Amanda Waller, Arlequina, Capitão Bumerangue e El Diablo são BEM legais ali.

O Pistoleiro tem a vantagem de ter o Will Smith como ator e, por mais que tenha gente reclamando que é o Will Smith sendo o Will Smith, sinceramente, não importa muito. O cara faz valer a sua posição como possível última grande estrela de Hollywood ali e, em algumas cenas, traz o peso necessário pro filme.

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A Arlequina também vai ser alvo de muita gente, que vai dizer que ela tá hiper-sexualizada, de gente que vai romantizar o relacionamento dela com o Coringa (sério, não façam isso), mas ela é uma versão digna da personagem no cinema. A cena em que ela aparece como nos quadrinhos me fez falar “Mas olha só, isso é legal”. O fato da Margot Robbie ser criminosamente bonita é só um extra.
A Amanda Waller mostra porque a Viola Davis é uma das melhores atrizes em atividade, vide que na mão de outra pessoa, seria um papel ingrato, mas ela consegue ser mais vilã que todos ali juntos, ainda trazendo uma certa humanidade à personagem.

Por incrível que pareça, El Diablo, personagem de Jay Hernandez, tinha tudo pra ser um LIXO, mas tem um arco definido e interessante no filme. Fora que ele é o mais overpower da galera e tem um motivo pra não resolver tudo sozinho.

Outra surpresa foi Jai Courtney, pessoa que só faz filme ruim, como Capitão Bumerangue. Desde a cena da sua captura até o final, ele é o verdadeiro alívio cômico do filme, roubando a cena várias vezes. É o tipo de apresentação de personagem que me faz querer ver mais dele. Não acho que ele consiga sustentar um filme como vilão principal (do Flash), mas como um vilão secundário, funcionaria bem demais.

A participação do Batman, que foi revelada nos trailers, é possivelmente o melhor uso do personagem nesse novo universo da DC nos cinemas. Ele aparece bem pouco, mas todas as cenas são realmente legais, o que faz a sua participação parecer importante.

O meia-boca

As cenas de ação de Esquadrão Suicida também não são ruins, mas não chegam a ser memoráveis. Fãs da DC nunca mais poderão reclamar dos filmes da Marvel e sua horda de inimigos sem cara, portais se abrindo no céu e o escambau porque é exatamente isso o que acontece aqui. A vantagem é que funciona, então, em vez de reclamar, todo mundo tinha que morrer abraçado com isso aí.
Outra coisa que muita gente tava esperando em Esquadrão Suicida, a maioria já na má vontade e querendo esculachar, é o Coringa do Jared Leto. Desde que a primeira imagem dele foi revelada, meio mundo resolveu cair de pau. O fato de os envolvidos no filme ficarem de “nossa, o Leto é mó loucão como Coringa” também não ajudou. Fica claro que foi tudo um marketing mal feito pela Warner, já que o personagem não interage com quase ninguém do elenco e aparece em meia dúzia de cenas.

Cenas essas que poderiam ser deletadas do filme e que não mudariam em nada a sua história. Só que esse Coringa, apesar de parecer BEM estranho, ainda fez sentido pra mim. É bizarro, mas pela primeira vez, eu vi o Coringa como VILÃO.

SUICIDE SQUAD

As versões do Jack Nicholson e do Heath Ledger eram pessoas ruins, que matavam, roubavam e davam zero fodas pro bem dos outros, mas você se sentia investido o suficiente neles. O Coringa do Jared Leto é execrável em todas as cenas em que aparece. Não chega a ser um esquema “SAI DA MINHA TELA”, mas cada ação dele ali é algo extremamente repreensível e, pela primeira vez no cinema, nem um pouco “charmoso”. A vontade que eu fiquei é de ver o Batman aparecer e moer ele na bordoada. E isso é bom.

Em dado momento, o Coringa oferece a Arlequina pra um outro bandido. Tipo “Toma ela por uma noite”. Esse é o tipo de vilão que é o Coringa. Ele é uma pessoa horrível, e não a versão romantizada que muita gente insiste em ter na cabeça. Nesse ponto, o Jared Leto foi bem e eu quero ver mais dele no cinema. Principalmente porque depois do Batman Crossfiteiro do Ben Affleck, que arrebenta todo mundo na porrada, eu quero MUITO ver os dois numa cena e o Morcego perder a paciência.

Aqui, ele aparece MUITO pouco, então vale somente pra “Ok, esse aí é o Coringa. Agora desenvolvam”.

E o ruim

A primeira metade de Esquadrão Suicida tem um ritmo muito estranho. Praticamente toda cena é acompanhada por uma música licenciada, o que em teoria é muito legal, mas, na prática, não deixa a cena “respirar”. Por exemplo: introduzem um personagem no filme, socam uma música bem óbvia em cima. Até aí ok. Só que em vez de seguir para a próxima sem uma trilha, a cena seguinte traz outra música licenciada, completamente diferente. Sabe edição de vídeo no YouTube, que a pessoa quer enfiar música em todos os cortes? Ficou mais ou menos assim.

O problema aí é que ele não permite qualquer tipo de imersão no que está acontecendo na tela, deixando tudo com um ritmo descompassado. Quando isso dá uma sossegada, ali pelo meio do filme, o negócio embala e o filme se torna mais agradável. A impressão que eu fiquei é que os tais problemas durante a pós-produção, com a Warner querendo deixar tudo mais “leve” tá nesse começo e na vontade de ser o “Guardiões da Galáxia da DC”, inclusive reutilizando música que teve destaque no filme da Marvel. Só que a segunda metade mostra que nem precisava fazer isso.
Outra coisa que é bom falar é que os trailers vendem um filme diferente do que chega aos cinemas.

SUICIDE SQUAD

O filme tem uma história um tanto fraca, mas que funciona dentro daquilo que é mostrado. Ele tem momentos engraçados, mas praticamente todas as piadinhas já foram entregues nos trailers. Sempre quando algo poderia ser engraçado, você percebe que foi usado a exaustão em trailers. Por isso, o momento mais engraçado é exatamente um que não foi mostrado em momento algum e que funciona perfeitamente com o personagem que foi apresentado.

Pra fechar as coisas, os vilões. Não os “heróis”, mas os antagonistas da história. Vou entregar aqui, porque foda-se, que é a Magia (ou Enchantress). A Cara Delavigne é muito bonita, mas ela não é uma grande atriz. Até aí ok, o papel ali não exige TANTO assim, mas a partir do momento em que ela ficou dançando na frente do portal, com um visual que era quase 100% um cosplay da Evil-Lyn do He-Man, ficou impossível levar a sério.

It’s good to be bad

No papel, Esquadrão Suicida não é bom. Ele tem vários problemas de ritmo e a história é meio capenga. Só que, na prática, ele FUNCIONA. Ele consegue ser divertido, te fazer rir e se importar com, pelo menos, alguns dos personagens dali. As participações especiais são legais e, apesar dos pesares, o novo Coringa pode ser muito interessante perto do novo Batman.

O maior problema dele foi ter ficado com todo o peso de “arrumar” o Universo DC nos cinemas, depois da bomba que foi Batman vs Superman. Na realidade, Esquadrão Suicida é um filme bom. Não é espetacular, mas também não chega nem perto da bomba que algumas pessoas querem falar que é. Dos três filmes do novo Universo DC nos cinemas, é possível dizer que ele é o mais agradável, mesmo com os seus problemas.

Agora, resta saber se com as mudanças nos bastidores da Warner/DC, ele vai ser mesmo o momento da virada ou não.

PS: Preciso dizer aqui que vivemos em um mundo em que Pistoleiro, Arlequina, Killer Croc, Capitão Bumerangue e El Diablo são mais heroicos que o Superman nos cinemas. Isso tá muito errado e ARRUMEM ESSE BASTARDO NO FILME DA LIGA DA JUSTIÇA, PELO AMOR DE DEUS!

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