Review: Era Uma Vez em… Hollywood

Quando Era Uma Vez em…Hollywood foi anunciado, apesar de ninguém saber direito qual seria a história, meio que todo mundo já sabia o que esperar do novo filme de Quentin Tarantino. A recriação de uma era que o diretor claramente sempre adorou, bons diálogos, um pouco de drama, um pouco de comédia e uma pitada de violência.

Eis que com a estreia do filme, o primeiro em anos que o roteiro não vaza antes do tempo, e a história de um ator de TV que não consegue mais ter o mesmo sucesso do passado, seu dublê e uma jovem atriz deixando sua marca em Hollywood. Mesmo que durante as duas horas e quarenta minutos de duração, pareça que ele não tem história nenhuma. Sério.

You are Rick Fucking Dalton! Don’t you ever forget that

Era Uma Vez em…Hollywood é um filme que novamente mostra como o Leonardo Di Caprio é um baita ator, interpretando seu Rick Dalton. Durante anos, ele teve seu lugar ao sol ao estrelar uma série de western na TV americana. Todos o conheciam, mas depois do cancelamento do show, ele não conseguiu encontrar seu lugar em filmes. Isso fez com que ele precisasse pular de série em série, fazendo pequenas participações.

Era uma Vez em... Hollywood

Apesar de isso garantir que ele conseguisse viver em sua casa em Hollywood, aos poucos ele sente que sua chance passou. Do seu lado, o dublê Cliff Booth, interpretado pelo Brad Pitt, está sempre lá pra dar aquele apoio moral. Não só apoio moral, já que o cara serve como dublê, motorista, repara sua casa. Basicamente, enquanto Dalton é a grande estrela, Booth é o seu faz tudo.

Depois de assistir ao filme, eu tenho quase certeza que se Rick Dalton e Cliff Booth fossem interpretados por atores diferentes, Era Uma Vez em… Hollywood provavelmente não teria 10% do seu impacto e charme, já que não somente o Leonardo Di Caprio e o Brad Pitt são ótimos atores nas suas cenas individuais, você realmente acredita na parceria entre os dois pela sua química.

O filme tem um monte de coisas que acontecem (e ao mesmo tempo nada acontecendo, já falo sobre isso), mas se não tivesse o Di Caprio e o Pitt como Rick Dalton e Cliff Booth, eu tenho a impressão que esse seria o pior filme do Tarantino, mas a escolha dos dois fez dele um dos melhores.

Coisas acontecem e nada acontece ao mesmo tempo

O filme, como eu disse, se divide em três personagens. Rick Dalton filmando sua participação em um novo piloto, Cliff Booth dando uma carona pra uma garota hippie até a sua “família” e uma jovem Sharon Tate literalmente passeando pela cidade e assistindo seu filme no cinema.

A parte do Cliff é talvez a mais “temos uma história acontecendo aqui”, enquanto a do Dalton serve somente para ele, sem impulsionar de verdade a trama pra lugar algum. O mesmo poderia ser dito das cenas da Margot Robbie como Sharon Tate, que mostra que a atriz tem uma presença incrível na tela, mesmo falando MUITO pouco e aparecendo no filme por causa do seu destino cruel.

No final das duas horas e quarenta de filme, você sente que as linhas apresentadas realmente fazem sentido e te levaram pra algum lugar, mas enquanto tá tudo acontecendo, é impossível não ficar com uma impressão de que você tá vendo um filme sobre vários nada e que o Tarantino só queria viver um pouquinho de uma era de Hollywood que ele não pode viver.

E é talvez por isso que Era Uma Vez em… Hollywood seja um dos filmes mais interessantes e possivelmente esquisitos da filmografia do diretor, porque ele mais do que nunca só funciona mesmo por causa dos três atores e como os personagens se desenvolvem. Ao sair do cinema, eu fiquei com uma sensação de ter passado quase três horas vendo um filme sobre nada, mas ainda assim interessante o suficiente para não ter sentido todo o tempo de duração.

Novamente, o maior trunfo do Tarantino são os seus personagens e diálogos e é impressionante como mesmo cenas que parecem não levar a lugar algum (e algumas realmente não levam) ainda conseguem ser melhores que muita coisa feita em Hollywood hoje em dia.

No final do filme, você sabe que viu um elenco realmente impressionante, liderado especialmente por dois atores mostram serem alguns dos melhores em atividade atualmente, e termina realmente se importando com o que aconteceu com Rick Dalton, Cliff Booth e Sharon Tate. Sim, existe o lance da “familia Manson” no filme, mas tudo é tratado do “jeito Tarantino” e funciona realmente bem.

Eu sei que parece que estou confuso e com medo de falar que eu não gostei do filme, mas é o total oposto. Eu realmente gostei de Era Uma Vez em… Hollywood e acho que ele é um dos longas mais interessantes do Tarantino, o que é impressionante, mas ele também é um filme ESQUISITO. Tenho a impressão que é o tipo de filme que se beneficia bastante ao ser assistido novamente, exatamente para tentar aproveitar melhor as cenas que parecem não levar a lugar algum, já sabendo como tudo termina.

Se você tá lendo isso até aqui, já sabe se vai assistir ao filme do Tarantino. Só que Era Uma Vez em… Hollywood é um longa que para falar melhor dele, é necessário contar coisas específicas que acontecem e é melhor você experimentar por si só. No fim das contas, essa é uma das melhores coisas dele. Ele te faz querer falar sobre com alguém e como algumas coisas podem ser interpretadas.

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