Review: Doutor Sono

A adaptação de O Iluminado dirigida por Stanley Kubrick é até hoje considerada um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, mesmo sendo completamente achincalhada pelo autor da história, Stephen King. Anos depois, o autor escreveu uma sequência, contando a história do agora adulto Danny Torrance. E é exatamente da adaptação disso que vamos falar, já que Doutor Sono chega aos cinemas quase que como uma ponte entre O Iluminado, o livro, e O Iluminado, o filme, servindo como uma boa continuação e homenagem para ambos.

Aprendendo a viver com os fantasmas do passado

Doutor Sono mostra Danny, interpretado pelo Ewan McGregor, como um adulto sem rumo na vida. Os acontecimentos do Overlook Hotel claramente deixaram sua marca nele, mas uma existência perturbada o tornaram um alcoólatra violento e sem muita perspectiva.

Doutor Sono

Aos poucos, vemos que ele continua com seus poderes ou “sua iluminação”, mas a usou apenas para tentar se afastar dos vários fantasmas do Hotel que o assombraram na infância. Quando sua vida começa a entrar nos eixos, após outra tragédia, ele acaba por criar um elo telepático com uma garotinha de 5 anos, que também tem poderes como os dele.

Paralelo a isso, um grupo que lembra uma seita parece buscar pessoas com poderes similares ao de Danny para “sugar sua essência” e alcançar a vida eterna no processo. As histórias eventualmente se conectam e o filme acaba ganhando ritmo.

Esse é um resumo bem grosseiro da trama de Doutor Sono. O filme, pelo menos o seu primeiro ato, é um tanto esquisito, já que parece não saber exatamente que tipo de adaptação será. Em vários momentos, o clima dele segue o do filme do Kubrick, apenas para na sessão seguinte, geralmente o do grupo em busca de pessoas com poderes, se tornar algo mais “Stephen King”, se é que isso faz algum sentido.

Ele vai e volta buscando um tom que tente conectar os dois estilos, o que é interessante de certo ponto de vista. Eventualmente, as histórias acabam se entrelaçando e essa dificuldade some. Isso porque, em dado momento, você aceita tudo o que está sendo mostrado na tela e parece que tudo faz sentido.

A partir disso, o filme se torna um imenso fanservice para os fãs de Stephen King e de O Iluminado de Stanley Kubrick. A história ainda funciona bem para quem apenas conhece o filme, conseguindo andar bem com suas próprias pernas.

Ewan McGregor como Danny Torrance não traz uma atuação particularmente inspirada, sendo que, salvo duas ou três cenas, poderia ser qualquer outro personagem que daria no mesmo. É meio tonto querer que ele fosse exatamente como em O Iluminado porque o personagem ali tem 5 anos, mas ele não tem muita personalidade ao longo do filme.

Filme que acaba tendo como figura principal a jovem Abra, que quando a história começa de verdade, já completou 13 anos e está mais poderosa. Existem algumas mudanças em relação ao seu papel no livro, mas ela ainda serve o exato propósito para a história.

Os vilões são meio aleatórios, mas conforme mais detalhes sobre eles são revelados, é impossível não querer saber um pouco mais sobre tudo o que os cerca. O filme dá uma passada bem “de leve” nisso e parece uma oportunidade perdida, apesar de funcionar dentro de tudo o que está sendo mostrado.

No geral, Doutor Sono não é um filme ruim, apresenta uma boa ponte entre o filme do Stanley Kubrick e uma história aprovada pelo Stephen King, mas não é algo que vá marcar época como o primeiro. Quando ele finalmente encontra um tom para a história, a trama se desenvolve bem, mas os tropeços, principalmente na primeira metade, diminuem bastante o que ele poderia ser.

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