Quando o primeiro trailer de Deuses do Egito foi divulgado, muita gente se prendeu ao fato de atores brancos no papel de egípcios (eu já falo sobre isso). Pra mim, o que ficou mais aparente é que o negócio parecia tão zoado que a chance de ser divertido era enorme.
Ao final das DUAS HORAS E SETE MINUTOS, a única coisa que dá pra falar é “isso na mão de alguém que manja ficaria tão bom. Pena que ninguém manja de porra nenhuma nessa bagunça”.
Porque sim, Deuses do Egito é uma bagunça.

Deuses bem “qualquer coisa”

Deuses do Egito conta que no início dos tempos, após terem criado o mundo e os homens, deuses andava entre os mortais no berço da humanidade, o Egito. Os deuses tinham aparência de pessoas normais, mas eram bem mais altos, sangravam ouro e conseguiam se transformar em criaturas fantásticas.

Isso é mostrado no filme como a galera tendo uns 2,5m de altura, sangrando ouro enquanto usam adereços de ouro, o que seria o mesmo de você andar por aí com sangue coagulado como chapéu.

O filme já começa com o Egito bonito, supimpa, cheio de pirâmides e o escambau, com pessoas que não parecem egípcios como habitantes. E aí eu concordo com o problema de whitewashing do filme.

Em vez de contratar atores que parecem egípcios, o casalzinho principal (que é fraaaaaaaco) é branco, sendo que a menina é australiana, então rola aquele sotaque. Cocotinha, mas vacilo.

Já os deuses, os caras podem ser de qualquer cor porque simplesmente não são reais. Novamente, eles têm 2,5m, sangram ouro e se transformam numas criaturas de metal que são mais ridículas do que deveriam ser. Eles poderiam ser verde e ainda poderia ser argumentado que tá realista.

Voltando ao filme, a história começa com a coroação de Horus, vivido pelo Jamie Lannister, como o novo rei do Egito. Ele é um fanfarrão, um bêbado e não parece dar tanto valor para aquilo.

Durante a cerimônia, seu tio, Set, vivido pelo Gerard Butler ali pra pagar as contas, trai o sujeito, mata o rei, arranca os olhos do sobrinho e toma o Egito para si. CAUSE THAT’S WHAT GANGSTAS DO!

Isso faz com que o Egito seja tomado por um exército criado pelo Set, Horus fique cegueta num lugar isolado (e sem ninguém cuidando) e deuses sejam assassinados com facilidade. Isso até o mortal principal do filme entrar na jogada.

Veja bem, parece enrolado e de fato é, mas isso é só o começo do filme. Depois disso rola vida após a morte, o casalzinho mais insosso do universo, cenas de ação que dão sono e os efeitos especiais mais cretinos desde O Destino de Júpiter.

Falando nisso, Deuses do Egito lembra bastante O Destino de Júpiter, com a diferença que o filme do ano passado é ruim, mas não te ofende. Um pouco, mas você ainda assiste pensando “Os Wachowski ficaram loucos”. A pergunta que surge depois de Deuses do Egito é “Como é que deram dinheiro pra fazer esse negócio?”.

Um elenco desperdiçado

A única coisa que poderia se salvar de Deuses do Egito é o seu elenco, mas até isso conseguiram estragar. Nikolaj Coster-Waldau, que interpreta o Horus, não é ruim em Game of Thrones, mas é péssimo nesse filme. Em outros longas, como o SENSACIONAL Headhunters, o cara é bom, então o problema tá aqui mesmo.

Gerard Butler tá no filme obviamente pra pagar as contas, sendo que até quando grita com os soldados, nem cai na galhofa de tentar imitar o Leônidas. Elodie Yung, a Elektra da série do Demolidor é a deusa do amor e é bem qualquer coisa no filme. Não é ruim, mas só tá lá. Ruim MESMO está Chadwick Boseman, cidadão que será o Pantera Negra no cinema. Sério, quando eu vi que era o cara, fiquei com um pouco de medo do filme da Marvel. DE LEVE, mas fiquei.

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Tudo é muito ruim, artificial. Nada no filme tem vida. Romance, ação, aventura. NADA. As coisas simplesmente vão acontecendo, efeitos especiais, que seriam incríveis em 1998, tomam conta da tela e pronto. Em dado momento, tava mais legal ver o Nikolaj Coster-Waldau de tapa-olho e uma armadura que lembrava a roupa do Solid Snake em Metal Gear Solid 4 e pensar “Esse cara seria um bom Snake. Não atuando desse jeito, mas tem o visual”.

Em resumo

Como você já deve ter percebido, eu não gostei de Deuses do Egito. O filme é longo demais, tem efeitos especiais porcos demais, tem atuações preguiçosas e cenas de ação sem graça. O que torna tudo pior é que a ideia por trás do filme é boa. Contar a história de deuses egípcios é bem interessante e pouca explorada em Hollywood. Na mão de um diretor capaz e com um bom roteiro em mãos, Deuses do Egito poderia ser um longa de aventura legal pra caramba.

No final das contas, ficou um resultado que você vê a propaganda quando for passar na TV e ainda vai pensar 10 vezes antes de deixar no canal pra assistir. Uma pena.

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