Quando Creed foi anunciado, a ideia de um spin-off da série Rocky, focada no filho de Apollo Creed (o eterno DOUTRINADOR), não parecia tão interessante, mas o filme acabou não só sendo uma belíssima homenagem a tudo o que veio antes como também apresenta um novo caminho a ser seguido.

Em Creed II, essa história continua, mas ele serve muito mais como o ponto final de uma jornada e o real começo do seu próprio legado. Apesar de isso parecer que o filme apenas está patinando sem sair do lugar, ele acaba se tornando um filme realmente poderoso por finalmente colocar todo o peso de assumir um legado e criar um próprio.

Humanizando uma máquina de porrada

Creed II traz Adonis e Rocky Balboa exatamente do jeito que acharíamos que eles estariam: com Adonis lutando pelo cinturão, após mostrar o seu talento dentro do ringue. Só que isso acaba atraindo a atenção de Ivan Drago, que há anos vem treinando seu filho, Viktor, para tentar recuperar a glória do nome Drago dentro do mundo do boxe.

Obviamente, o fato do Ivan Drago ser o responsável pela morte de Apollo, pai de Adonis, torna o inevitável combate entre os filhos dos boxeadores algo bem interessante de assistir e, sozinho, conseguiria manter a atenção do espectador até o seu final, mas Creed II tem em seu maior trunfo, como aconteceu na franquia Rocky, focar nas pessoas antes de entrarem no ringue.

Aqui, apesar de o maior foco estar no Creed e como ele encara o peso do seu legado na sua vida de um jeito mais direto, isso também abordado do outro lado. Creed II consegue, até certo ponto, humanizar a figura de Ivan Drago, visto em Rocky IV apenas como uma máquina de porrada loira que manda, na maior frieza, um “Se morrer, morreu” frente ao corpo de Apollo.

Aqui, vemos um homem visivelmente quebrado pela vida, pela humilhação que a derrota frente ao americano Rocky trouxe e como ele vê seu relacionamento com o filho como uma forma de recuperar o prestígio uma vez perdido.

Apesar de ser bastante sutil, essa humanização do personagem acaba dando um peso maior ao filme, apesar de ainda mostrar Ivan Drago como um cara ressentido e sem muito remorso por ter arrebentando o cérebro do DOUTRINADOR na pancada.

Criando o seu próprio legado

O grande mote de Creed II é a chance de Adonis finalmente assumir o legado do seu pai, conseguindo se vingar de Ivan Drago ao vencer seu filho, Viktor. Esse conflito acaba por gerar problemas na vida de Adonis, que pensa em ter uma família e fazer seu próprio nome, algo já visto no primeiro filme.

Creed II tem um problema de parecer uma evolução natural da história do primeiro filme, mas também fica revisitando alguns temas que já pareciam superados, algo que faz o meio do filme parecer um pouco mais lento do que deveria.

Creed

Isso não chega a ser um problema que atrapalhe o filme, mas acaba deixando tudo um pouco previsível demais, algo que nem sempre foi a marca da série Rocky.

O filme parece ainda trafegar demais na história do “Pecado dos nossos Pais”, com Adonis e Viktor se odiando simplesmente por conta de seus pais, precisando carregar todo o peso das escolhas deles, sem conseguir fazer as suas próprias.

E eu acho que essa é a grande sacada de Creed II, que é ver os personagens finalmente entendendo que precisam criar seus próprios legados, independentemente de como.

Encerrando as atividades

Antes do lançamento de Creed II, Sylvester Stallone havia comentado como o filme seria a sua última participação como Rocky Balboa, aposentando de vez o personagem.

Sem dar spoilers, o filme serve como uma belíssima despedida ao Rocky, finalmente aparando algumas pontas que ainda estavam soltas. Durante o filme, apesar de o velho boxeador ter um papel importante, fica claro que a estrela aqui é o Michael B Jordan como Creed, mas isso não é algo ruim.

É apenas a vez de ele brilhar e cada cena com o Stallone apenas faz mais absurdo que ele nunca ganhou um Oscar de atuação pelo personagem (e agora nem vai mais poder).

Em resumo

Creed II é um baita filme. Ele dá uns tropeços quando o assunto é ritmo no meio, mas no geral, é uma evolução incrível e que me faz querer ver mais de Adonis e como ele seguirá a sua carreira como boxeador.

Além disso, ver o Ivan Drago encarando o Rocky Balboa mais uma vez no cinema vale cada centavo do ingresso.

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