Review: Caça-Fantasmas é realmente legal

Eu tenho um sério problema em começar textos sobre filmes que eu gostei, então vou começar o review de Caça-Fantasmas com o seguinte: eu gostei do filme. Eu REALMENTE gostei de Caça-Fantasmas.

Depois de uma campanha de marketing bem qualquer coisa e uma polêmica ridícula criada por pura bobice de um bando de tonto, o filme tinha tudo pra dar errado. Só que ele funciona tão bem que torna tudo ainda mais legal.

Reboot feito do jeito certo

Caça-Fantasmas é um reboot. Vários elementos vistos no primeiro filme estão no novo, mas em momento algum, o longa usa isso como muleta. Existe um fanservice na medida certa, mas ele tá lá empurrando a história.

Novamente, um grupo de cientistas se vê desacreditado ao estudar e batalhar contra forças sobrenaturais na cidade de Nova York. Não existem “versões” de personagens dos filmes originais. A história em si não é uma atualização daquilo que já foi feito.

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O diretor Paul Feig basicamente pegou o conceito, alguns elementos que marcaram os filmes anteriores e criou um longa que consegue se manter e caminhar com as próprias pernas. As piadas funcionam muito bem, a ação é surpreendentemente boa e as atuações são agradáveis e divertidas. Praticamente tudo funcionou a favor do filme. Ou quase tudo.

Sobre a bobice da internet

Quando foi anunciado oficialmente, Caça-Fantasmas recebeu tudo o que a internet tem de pior com um bando de marmanjo bradando que “sua infância seria corrompida” porque seria um reboot e o grupo seria formado por mulheres. Quando os rumores de que o reboot teria caras como Caça-Fantasmas, nenhum desses putos disse um A.

Durante meses, rolou uma campanha pra destruir o filme baseado em um trailer (que convenhamos, era realmente ruim) e o fato de que não seria estrelado por homens. O diretor Paul Feig falou um monte também pra malhar essa galera quando podia ter falado só um “Cara, f*da-se”.

Meu maior receio com essa mudança era que Caça-Fantasmas acabasse sendo um filme “militante”, com as personagens fazendo discurso de igualdade e toda essa porra. Só que não. O filme acaba fazendo toda essa coisa de igualdade e representatividade da melhor maneira possível: tratando todo mundo como pessoas normais.

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Em momento algum o papel das quatro personagens principais é questionado DE VERDADE pelo fato de elas serem mulheres. Todas são bem competentes nos seus trabalhos, fazem piadas, quando precisam, vão para a ação e tudo é normal.

Eu sinceramente saí do cinema pensando em comprar os bonequinhos das quatro, porque elas são muito legais. De verdade. “Ah, mas então por que não foram feitos homens no lugar?”, você diz do alto da sua torre de escrotidão. Porque não precisa.

Você pode falar da sua infância novamente, do “legado” de Caça-Fantasmas (que, sinceramente, já foi manchado com o segundo filme), mas pense que ela ainda tá lá. Você já não é mais criança. Tem toda uma geração que pode ver esse filme e se inspirar. Essa talvez a melhor coisa “pós-filme” que pode acontecer com esse Caça-Fantasmas.

Uma equipe em pé de igualdade com a original

E sério, as quatro personagens principais são bem legais. Eu tinha um certo receio que usariam a Patty, personagem da Leslie Jones, como a “sassy black woman” da parada, mas não. Ela tem um motivo pra estar na equipe e tem algo a oferecer.

A melhor das quatro é, sem sombra de dúvida, a Holtzmann, interpretada pela Kate McKinnon. Ela é responsável por algumas das melhores piadas do filme, um dos melhores momentos de ação da história e é absurdamente competente no seu trabalho como a criadora de todo o equipamento das Caça-Fantasmas.

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Até o Chris Hemsworth, que vai ter gente reclamando porque ele fez o cara bonitão e imbecil, se acerta no filme. Inclusive, Caça-Fantasmas mostra que o cara é muito além do Thor, funcionando em um longa de comédia, assim como funcionou em um de drama (o filme Rush – No Limite da Emoção. Assistam esse filme).

No final de Caça-Fantasmas, eu saí querendo ver mais daquela equipe (e um caminho bem interessante já é citado em uma cena pós-créditos). O primeiro filme era basicamente um conceito legal e um grupo de comediantes fazendo umas piadas e curtindo uma vibe de herói. O novo é basicamente isso. Um conceito legal e um grupo de comediantes que está chegando no seu auge curtindo uma vibe de herói.

A única diferença é que agora quem salva todo mundo não tem pinto. Se isso é tão ofensivo pra você, um filme é o menor dos seus problemas.

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