Review: Batman

Quando Christopher Nolan terminou sua trilogia do Batman no cinema, os fãs se perguntaram quando veríamos novamente o Homem Morcego no cinema. Não demorou muito para vermos ele, dessa vez interpretado pelo Ben Affleck, que era muito legal em filmes de qualidade no mínimo complicada. Eis que uma nova versão do personagem chega aos cinemas, em um filme que poderia ter dado muito errado, mas que acaba por se mostrar como talvez a melhor adaptação em um filme do que faz o Batman um personagem tão interessante nos quadrinhos. Sim, Batman estrelado pelo Robert Pattinson é um filme bom pra cacete!

De sequência para um novo começo

BatmanBatman começou sua vida como uma sequência dos filmes dirigidos pelo Zack Snyder, ainda com o Ben Affleck como Bruce Wayne e inclusive na cadeira de diretor. O tempo foi passando, o ator e diretor se desgostou do negócio e Matt Reeves, de Cloverfield e dois Planetas dos Macacos recente, assumiu a direção. Não demorou muito, o Ben Affleck deixou o filme, que agora seria uma espécie de reboot do Batman.

A escolha de uma história completamente independente do DCEU, mostrando um Batman nos seus primeiros anos como vigilante, fez muita gente achar que o negócio desandaria, mas a Warner parecia confiante no diretor e nas ideias dele. A escolha de Robert Pattinson para interpretar esse Batman foi uma doideira que a internet começou reclamando, mas era uma escolha tão atravessada que todo o chilique que poderia causar pelo fato de o cara ter feito Twilight foram soterradas pelas ótimas atuações que ele entregou praticamente desde que terminou com aquela série de filmes.

Aos poucos, o filme foi ganhando a boa vontade do público, seja nas escolhas de elenco como em declarações sobre a produção. A principal é que Batman seria um filme que mostraria o lado detetive do herói, algo que foi muito mal explorado em praticamente todos os filmes dele. Ao final de suas quase 3 horas, é possível dizer que o novo filme não só mostrou esse lado até então inexplorado no cinema, como também trouxe tudo o que o personagem poderia oferecer e mais um pouco, mostrando o porque de ele ser um dos três principais heróis da DC (e não é só por ele ser legal para cacete!).

Um detetive, um policial, um psicopata e uma ladra

Tirando alguns elementos como UM SUJEITO VESTIDO DE MORCEGO e afins, Batman é basicamente um filme de detetive. Você pode contar exatamente a mesma história, trocando o bilionário Bruce Wayne por um detetive particular com métodos pouco ortodoxos, que trabalha com um policial em busca de um serial killer. As coisas ficam mais interessantes com os elementos do gibi, mas o cerne da história tá ali e isso faz com que os personagens pareçam mais “de verdade”.

 

O Tenente Gordon mostra uma lealdade ao Batman e trabalha não como suporte, mas ativamente como parceiro de investigações. A Mulher-Gato tem motivos fortes o suficiente para fazer o que faz e quando ela aparece junto ao Batman, tem seu próprio caminho, em vez de apenas servir como interesse romântico/pedra no sapato do Batman. Existem outros dois elementos que são cruciais para tudo funcionar.

Paul Dano como Charada faz aqui um trabalho excelente para tirar aquela aura de “fanfarrão e bobo” do vilão, transformando-o em um completo psicopata, muito mais próximo de serial killers como o Assassino do Zodíaco. Em vários momentos, ele poderia desandar forte e virar uma versão do Coringa, mas tanto o roteiro, a direção do Matt Reeves e o trabalho de atuação do Paul Dano, criam uma diferença muito clara ali.

Eles têm trejeitos parecidos, mas enquanto o bobo, o palhaço, o JÓQUER, age por impulso só pra ver tudo queimar, o Charada tem um plano. Às vezes meio torto, mas ele tem um objetivo final, algo que o Coringa nunca tem, ele só vai no embalo pelo caos.

E aí entra o último elemento, que poderia fazer tudo ir pro cacete, mas que entrega demais aqui.

Robert Pattinson realmente nasceu pra brilhar

A escolha do Robert Pattinson para interpretar Bruce Wayne/Batman pode ser considerada inspirada pelo simples fato de vir do nada, mas ao mesmo tempo, fazer muito sentido se levarmos em consideração a carreira do cara. Apesar de muita gente ter sido exposto a ele apenas pelos filmes da série Twilight, o currículo do cara é cheio de personagens perturbados, em histórias bastante sérias e em todas, o cara se entrega 100%, mesmo quando tudo parece absurdo.

Em várias entrevistas, o Pattinson disse que ativamente foi atrás do papel quando descobriu que existia essa possibilidade e só isso já mostra que ele estava disposto a entregar algo pelo menos digno. Ao final das quase 3 horas de filme, eu saí do cinema pensando “Ele talvez seja o melhor Batman até agora”. Existe toda aquela coisa de “Batman bom, mas Bruce Wayne meio bunda” e vice versa, mas eu acho que agora, com mais tempo depois de ter assistido ao filme, é possível dizer que o Robert Pattinson é o Batman/Bruce Wayne mais completo do cinema até agora.

No papel de Bruce Wayne, ele consegue entregar mais humanidade que muitos outros (ótimos) atores no papel. Como o Homem Morcego, mesmo não sendo um ABSOLUTO TANQUE, como o Ben Affleck (que na minha opinião, é o mais próximo daquele visual gigantesco que muitas vezes é usado para o Batman nos quadrinhos), ele passa uma sensação de ameaça que é hipnotizante. Ele é um Batman no seu segundo ano como vigilante, então está longe de ser um herói refinado, mas tá ali a sua inteligência, boa parte de sua técnica na porrada, mas também seus erros, seu descontrole que muitas vezes quase o levam para o lado errado da história. Tá tudo ali, de um jeito que não sido reunido antes.

Batman é um herói

Batman, como eu já dei a entender, é um puta filme. Ele tem uma história bem amarradinha e com coisas o suficiente para fazer valer suas quase 3 horas de duração. Seu elenco tá muito bom (Colin Farrell como Pinguim tá irreconhecível e INCRÍVEL), o Robert Pattinson tá excelente, as cenas de ação são fodas, o Batmóvel é um absurdo, mas talvez o que mais me agradou foi o fato de o filme seguir o caminho de o Batman ser um herói. Na cabeça de muita gente, a forma como o Batman atua nas suas histórias no cinema, principalmente nas adaptações recentes, é possível notar que ele parte muito mais para o lado do anti-herói e quando é colocado ao lado de personagens mais heróicos, é aceito só porque “tá no gibi e é assim”.

Batman de 2022 tenta, de alguma forma, fazer ele merecer isso. Ele ainda é um sujeito completamente TOTÓ das ideias, se vestindo de morcego e sentando a porrada na bandidagem, mas ao fim de suas 3 horas, fica a sensação que ele é mais. Que faz todo sentido ao encontrar com um alienígena e uma amazona, elas perceberem nele as qualidades necessárias para montar um time pra salvar o mundo. Ele tá só no seu segundo ano (e provavelmente a gente nem vai ver isso aí), mas é bom ver o Batman nessa posição no cinema. Que continue assim.