Jesse Eisenberg não é um astro de ação. Kristen Stewart também não. A ideia de colocar os dois como estrelas de um filme sobre espiões e assassinos é tão absurda quanto me colocar numa produção dessas, mas American Ultra se sustenta basicamente nisso. E por incrível que pareça, funciona. Mais ou menos.

O filme, escrito pelo roteirista Max Landis, de Chronicle e daquele curta sensacional Wrestling isn’t Wrestling, conta a história de um sujeito que mora em uma cidadezinha com a sua namorada. Sua vida se resume a fumar maconha e trabalhar em um mercadinho sem vergonha.

Um belo dia, graças ao fato de que um agente do governo será eliminado, o jovem é “ativado”, se mostrando o tal agente e uma verdadeira máquina de matar. Isso gera uma caçada com um monte de agentes indo atrás do sujeito e o pau comendo no processo.

Tudo isso já tava no trailer

Pois bem, se você viu o trailer de American Ultra (QUALQUER UM DELES), você já viu praticamente tudo o que o filme tem para oferecer. Seja o tipo de humor, as cenas de ação, até um ou dois plot twists da trama.

Eu não sou desses que fica reclamando que hoje em dia tudo é revelado em material promocional (até porque você não é obrigado a ver tudo o que sai sobre um filme), mas American Ultra deixa pouca coisa para a imaginação já no seu PRIMEIRO trailer.

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O filme fica ruim por causa disso? De maneira alguma, mas muitas das cenas vistas no vídeo promocional teriam muito mais força caso tivessem ficado apenas para o produto final.

Agora eu fiquei cabreiro com o Lex Luthor

É impossível ver American Ultra e pensar que aquele sujeito ali será o Lex Luthor do novo filme do Superman. Sim, a versão dele será muito mais “vou manipular todo mundo bwuhahahahaha”, mas tem algo faltando ali. E American Ultra realmente não ajuda muito a favor do Jesse Eisenberg.

O personagem dele aqui não chega a ser ruim, mas ele consegue ser irritante de tão besta que é. Ok, é um maconheiro qualquer sem futuro na vida, mas até nos momentos em que ele tenta mostrar um pouco de personalidade, é sempre algo tão feito nas coxas que fica impossível não ver TODOS OS PERSONAGENS que ele já fez na carreira ali.

American Ultra

E aí surge a revelação que, apesar de ter feito alguns bons trabalhos, o Eisenberg tá naquele momento perigoso de cair no território do Michael Cera, interpretando o mesmo personagem em todos os filmes, mas em situações diferentes.

O contrário já acontece com a Kristen Stewart. Sim, por incrível que pareça, a personagem dela em American Ultra mostra uma Kristen mais “viva” do que muita gente está acostumada a ver. Ainda tem muito dos maneirismos da atriz, mas ela parece mais à vontade na trama do que o Eisenberg.

Um Bourne que quase funciona. QUASE

As cenas de ação do filme são interessantes, mas que funcionariam melhor com uma edição mais rápida e um ator que de fato parece saber o que está fazendo. O Eisenberg não convence em cena alguma como uma pessoa que já teve algum treinamento para ser agente secreto, então tudo fica meio estranho e mentiroso.

Os diálogos são bons e o filme tem alguns bons momentos. A impressão que fica ao final de American Ultra é de que o roteiro dele merecia um diretor e ator principal melhores pra realmente brilhar. Não é um filme ruim, mas o fato de ele ter potencial e não entregar deixa tudo mais ofensivo.

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Quem sabe, quando o filme estiver passando na TV e você não tiver nada para fazer, vale a pena dar alguns minutos do seu dia para ele. Caso você tenha mais coisas pra fazer, tipo catalogar sua coleção de Tazos, é melhor deixar para depois.

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