Review: Alita Anjo de Combate

Anos atrás, James Cameron anunciou que adaptaria para os cinemas o mangá Battle Angel Alita. O tempo foi passando, o diretor se empolgou em fazer filme ruim com bicho azul e história chupinhada de Pocahontas e Alita foi ficando de lado. Agora, finalmente o filme chega aos cinemas, mas pelas mãos de Robert Rodriguez (e roteiro e produção do Cameron).

Será que a espera valeu a pena e temos a primeira adaptação decente de um mangá feita em Hollywood ou é só mais um exemplo que americano talvez não saiba tratar esse tipo de propriedade?

Começando uma nova vida

Alita: Anjo de Combate mostra desde os primeiros minutos a que veio, com cenários cheios de efeitos visuais, que são potencializados quando um médico, interpretado por Christoph Waltz, encontra uma ciborgue abandonada em um lixão. Depois de perceber que o cérebro dela está intacto, ele resolve lhe dar um novo corpo. Quando ela não lembra quem era antes, ele dá o nome de Alita para ela.

Daí pra frente, se você viu qualquer trailer do filme, dá pra deduzir o que vai acontecer. E isso é um defeito e uma dádiva do filme.

Porque ele é bastante previsível, mas ao mesmo tempo, a história que ele conta entretém o suficiente para você não se sentir entediado, principalmente a partir do momento que o pau começa a comer de verdade.

Só que tem algo que pode quebrar ou fazer o filme para você, dependendo da sua boa vontade.

Temos que falar sobre o visual de Alita

Desde o momento que foi revelado, o visual da personagem principal chamou atenção porque é ESTRANHO. Estranho porque ele claramente tenta emular o visual de mangá, o que nos primeiros momentos é um negócio bastante esquisito.

Toda a performance da personagem é trabalho da atriz Rosa Salazar, que emprestou sua voz e movimentos para a heroína, mas todo o resto foi criado em computador. Além dela, alguns outros personagens também são completamente feitos em computação gráfica, o que em teoria, não deveria funcionar direito. Só que alguma coisa funcionou pra mim, pois depois daquele momento inicial de “tá esquisito”, a impressão que eu fiquei foi de que aquilo fazia sentido dentro do universo do filme.

Os modelos não estão mal feitos e existe um motivo para Alita ser daquele jeito. Fora que confesso que em várias cenas, além de achar a personagem bonita, os olhos grandes não só não me incomodaram como pensei “Tá do tamanho dos olhos da Emma Stone em Birdman. Tô nem zoando”.

Muita ação e uma traminha de romance sem vergonha

As cenas de ação de Alita são o ponto do alto do filme, graças ao estilo frenético de luta dela e um esporte estranho que eles competem para ganhar dinheiro. Nesses momentos, o filme se faz valer, além de ser interessante assistir na maior tela possível para aproveitar bem a experiência.

Ao mesmo tempo que temos isso, o filme também apresenta uma traminha de romance que desde o momento em que começa, você já sabe mais ou menos onde vai dar. E isso é a parte do filme ser previsível que é ruim, porque as cenas muitas vezes parecem entrar no caminho da trama, ainda que façam mais sentido pra frente.

No fim, valeu a adaptação?

Confesso que gostei muito mais de Alita: Anjo de Combate do que esperava. Comecei a assistir ao filme já pensando que ele poderia ser uma bomba, mas ele consegue entreter bem durante suas duas horas de duração.

Não é um filme que vai mudar o mundo ou causar a verdadeira virada nas adaptações de mangás em Hollywood, mas depois de tantas bombas, ele consegue ser competente o suficiente para valer com tranquilidade o ingresso.

Alita

Não sei se ele vai conseguir ter uma sequência, mas fiquei querendo uma para conhecer mais daquele universo. Por enquanto, pelo menos tenho como consolo os mangás completos para ler.

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