Rambo: Até o Fim (mas nem precisava)

John Rambo teve uma vida difícil. Seja no seu período como soldado na Guerra do Vietnã, voltando para visitar um amigo doente e ser visto como uma ameaça, até ser jogado novamente em conflitos no Vietnã e no Afeganistão, o ex-soldado parece nunca ter vivido um momento de paz absoluta.

Quando vimos o personagem em Rambo 4, ele parecia ter fugido de tudo, vivendo isolado, mas preparado para o conflito. O filme é extremamente violento, até mesmo para os padrões da franquia, dando um final que parecia que veria John Rambo finalmente se aceitando e voltando para casa, naquele que poderia ter sido o final perfeito para o personagem. Só que aí o Sylvester Stallone quis ganhar dinheiro.

E assim, temos Rambo: Até o Fim, filme que perde a oportunidade dourada de não se chamar “RAMBO No.5” e se mostra uma história pouco atraente e que já foi contada diversas vezes no cinema (e muitas vezes de uma maneira melhor).

Tio Rambo só quer saber de cavocar e andar com seus cavalos

Encontramos John Rambo anos depois do final de Rambo 4, vivendo uma vida simples em seu rancho. Vivem com ele a antiga cuidadora do seu pai, que acabou ficando no local após a sua morte, e sua neta, uma jovem que John ajudou a criar e está prestes a ir para a faculdade.

Toda a treta acontece quando ela resolve ir até o México, fronteira com o estado em que vive, para tentar encontrar seu pai, que a abandonou ainda criança. O idoso fala que vai dar merda, ela vai assim mesmo e, veja só, dá merda. A moça acaba sendo capturada por um cartel que droga e vende moças. O resto da história você já pode ter uma noção.

Rambo

A ideia de ter um Rambo mais velho tentando enfrentar inimigos que claramente têm vantagem sobre ele é interessante, mas já foi contada em Rambo 4 e, ao contrário do que aconteceu em Rocky Balboa e em Creed e sua sequência, o Stallone parece não ter história suficiente para trazer de volta John Rambo de volta às telas.

Isso porque, enquanto nos filmes do Garanhão Italiano, a história dele e de tudo pelo que ele passou ajudam a impulsionar a trama para novos caminhos. Rambo: Até o Fim poderia ter o Stallone como QUALQUER PERSONAGEM e teria o mesmo resultado.

O fato de ele ser novamente John Rambo tá ali só pra constar, já que praticamente nada do que aconteceu antes faz diferença, podendo ser apenas um “Idoso que um dia foi militar resolve se vingar de cartel que sequestrou alguém querido”.

Isso acaba deixando o filme com uma sensação de “Não precisava”, já que Rambo 4 explorou muito melhor essa coisa de “a última luta do soldado”, fechando muito melhor a história do soldado John Rambo.

Esqueceram de Mim com sangue

Digamos que é isso mesmo que você queria ver e ter o Rambo novamente matando geral porque o homem é quase uma máquina. Isso existe bem nesse filme, só que numa escala bem menor.

Tirando uma cena de EXTREMA VIOLÊNCIA, envolvendo uma faca e a clavícula de um maluco, Rambo 5 é bastante comedido e traz uma violência mais realista ao longo do filme. Isso, pelo menos, até o momento em que o pessoal resolve chegar no território do ex-soldado.

Nesse momento, o filme parece abandonar um pouco essa pegada mais psicológica e de violência realista e se transforma em um Esqueceram de Mim (mais) violento, já que tem até mapinha com o Rambo marcado lugares e criando armadilhas pros bandidos.

Aí vira folia e é só caboco perdendo perna, tendo cabeça perfurada e aquela doideira. Ainda é meio tarde demais, mas valeu pelo esforço.

No fim das contas, Rambo: Até o Fim é um filme que nem precisava ter o personagem, sendo apenas mais um filme de vingança, mas estrelado pelo Sylvester Stallone. Ele não é ruim, mas também não traz nada de novo ou dá um final melhor que já tínhamos visto no filme anterior.

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