Puro Mofo: Mortal Kombat — O Filme

No dia 14 de abril, é lançado para Xbox One, PlayStation 4 e PCs o novo jogo da série Mortal Kombat. Só que em vez de fazer uma parada voltada para os games (até vai rolar, mas sossega aí), resolvemos olhar para o passado e observar melhor Mortal Kombat — O Filme, vulgarmente conhecido na boca pequena como “MELHOR ADAPTAÇÃO DE UM JOGO PARA O CINEMA”. Sim, absurdo, porém verdadeiro. Ahh, e dá play ali no canto pra entrar no embalo.

Choose your destiny

O ano era 1995 e Hollywood estava tentando adaptar jogos para o cinema, mas falhava miseravelmente. Street Fighter e Double Dragon são vergonhas para todos os envolvidos e não me faça falar sobre aquele filme do Mario. Alguém precisava mudar isso. Foi então que a New Line resolveu adaptar Mortal Kombat.

Mortal Kombat castColocando o projeto nas mãos do diretor Paul W.S. Anderson, o mesmo calhorda que fez os filmes do Resident Evil serem um lixo. Só que no começo da carreira, o cara conseguiu fazer algo milagroso: um filme baseado em um videogame que não é ruim.

Com um roteiro que conseguia traduzir relativamente bem a trama do jogo, Mortal Kombat chegou aos cinemas em 95, com um elenco bem qualquer coisa (apesar de ter o Christopher Lambert como Raiden) e conseguiu fazer toda uma geração de moleques surtar forte no cinema. Quão forte? Senta que lá vem história.

Desde pequeno, curtia videogame. Havia jogado Mortal Kombat no meu saudoso Mega Drive e, quando vi o comercial do filme e a capa de alguma revista Herói, fiquei louco. No fim de semana de estreia, consegui convencer o meu pai a me levar no cinema. Era 95 e Curitiba não tinha cinema em shopping, então fui ao saudoso Cine Osório. Era um puta cinema grande de rua. Uma fila de moleques e seus pais aguardavam a abertura do cinema para começar a sessão.

Como cuidar da segurança dos espectadores provavelmente não estava nos planos da gerência, tinha gente sentada nos corredores. Uma loucura. E eu lá, com meu All Star do Ikki de Fênix, pronto para tirar o filme do Street Fighter da memória (foi o primeiro filme que eu vi no cinema e o segundo foi MK mesmo).

Minha cabeça de 9 anos ficou louca com o filme. Sim, ele não tinha nada da violência “absurda” do jogo, mas todo o resto tava lá. Tinha a Sonya dando aquele golpe cretino que ela fica de cabeça pra baixo e joga o cara (ficando com peito em evidência por motivos $$$), Johnny Cage dando soco no saco, Liu Kang dando bicicletinha cretina, Shang Tsung falava “FATALITY” e “FLAWLESS VICTORY” e o Goro, maluco. O GORO!

mortal-kombat goro

Só que são lembranças de uma mente pueril. Será que vendo Mortal Kombat hoje em dia, a parada continua maneira?

FATALITY

O mais foda de tudo é que continua. Mais velho e com um discernimento (um pouco) melhor das coisas, consigo encontrar umas mocoronguices ao longo do filme, mas é impossível assistí-lo e não achar que ele consegue bem adaptar o jogo, além de ser um filme divertido. As lutas são bem coreografadas, a trilha sonora é sensacional (talvez a melhor coisa da produção) e não dá aquela vergonha depois de assistir.

Mortal.Kombat.1995.

Ele tem lá seus momentos “vou ser zé-graça” do Raiden e que me irritava mesmo quando eu era criança, mas é o Highlander ali só tirando uma ondinha. Na parte da violência, de fato o filme não tem quase nada daquilo (tem uns caras virando gelo e explodindo, mas nada absurdo), mas isso faz sentido. O filme acabou ganhando uma classificação menor, o que permitia que mais pessoas o assistissem. Isso e evitou de ter caboco explodindo em 3 cabeças, 7 espinhas, 74 costelas, 23 braços e 42 pernas.

Não é a toa que, até hoje, quando se falam em adaptações de jogos para o cinema, o primeiro Mortal Kombat (ignore o segundo, porque é um lixo) é considerado o melhor filme de joguinhos. Isso até estrear os Warcraft da vida (a esperança é real).

Curiosidades (do IMDB, mas ainda assim)

A sessão de curiosidades de filmes do IMDB é sempre divertida de ser acessada pois gera uns momentos “MAS NEM FERRANDO”. A do filme do Mortal Kombat é cheia desses momentos.

De acordo com o IMDB, que não pode ser levado a sério, vários atores foram sondados para o papel de Johnny Cage, incluindo Tom Cruise, Johnny Depp e Jean Claude Van Damme (que é a base original do personagem). O último não aceitou o papel pois preferiu ser estrela de outra adaptação, Street Fighter. É por causa desse tipo de escolha que depois as pessoas terminam sendo motivo de chacota no programa do Gugu por ficar de barraca armada pra Gretchen.

Aí você pensa “Nossa, que absurdo. Onde que conseguiriam contratar essa gente pro filme?”. Pois bem, a produção tinha conseguido contratar a Cameron Diaz pós-Máskara paraser a Sonya Blade, só que ela quebrou a mão durante treinamento para o papel e teve que largar o projeto.

Outro que quase fez parte do filme, aí como Johnny Cage, foi Brandon Lee, filho do Bruce Lee. Ele estava filmando outro filme e, logo em seguida, entraria para o Mortal Kombat. O filme que ele estava fazendo era O Corvo e todo mundo já sabe o que aconteceu.

Tem até uma notinha de que STEVEN SPIELBERG faria uma ponta no filme, como o diretor que está trabalhando com o Johnny Cage, mas problemas com a sua agenda impediram sua participação. Se isso for real, os caras estavam atirando só em gente grande e quase acertando.

No final das contas, Mortal Kombat: O Filme continua sendo divertido demais, valendo ser assistido 20 anos após o seu lançamento. Nem que seja pra ver o Shao Khan no final gritar “YOU WEAK PATHETIC FOOLS! I’VE COME FOR YOUR SOULS!” e um Raiden cheio de marra responder “I DON’T THINK SO!”. Sério, eu vou ouvir a trilha sonora novamente e assistir essa desgraça mais uma vez. QUE NEGÓCIO LEGAL!

Dá pause na música lá em cima e aperte play nesse vídeo aqui.


Que filme!

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