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O Destino de Júpiter tem 127 minutos de duração. Neles, você pode ver a Mila Kunis sendo espetacularmente linda, Channing Tatum em um papel ridículo, um indicado ao Oscar acabando com toda a boa vontade da sua atuação digna de prêmios, cenários de um MMO genérico e a certeza de que os Wachowski perderam a mão de uma forma tão forte que chega quase a dar dó.

É impossível falar que O Destino do Júpiter é interessante ou empolgante, mas também não dá pra falar que ele é algo que eventualmente vai assistir e pensar “Por que isso, gente?”.

Cinderela espacial (ainda prefiro a baiana)

O Destino de Júpiter começa só um pouco absurdo. Vemos como os pais de Jupiter Jones (Mila Kunis) se conheceram e, SEM MOTIVO APARENTE, uma galera invade o apartamento deles, rouba um telescópio do pai dela e dá um tiro no cara. Ela se chama Jupiter porque era o nome que ele queria dar. Porque ele gostava de olhar o céu.

Ela nasce no meio do oceano (a mãe tava fugindo) e toca a sua vida sendo ABSURDAMENTE BONITA limpando a casa dos outros. Uma prova disso é ela maquiada lavando uma privada. Só que tal qual uma Cinderela, só que sem uma madrasta desgraçada ou ratinhos falantes, ela é destinada à grandeza, graças a um plot que, em vários momentos, não faz sentido algum.

A ideia é que a jovem é a herdeira da Terra. Basicamente, o planeta todo é dela e três irmãos querem a moça por algum motivo que só é explicado na segunda metade do filme (mas ainda faz pouco sentido).

Sua bonita!

Sua bonita!

Nisso, surge um mercenário (Channing Tatum), que é meio-homem e meio-lobo, mas sem a parte maneira de se transformar num lobisomem. Ele é só o Channing Tatum com uma barba descolorida, umas orelhas pontudas e umas cicatrizes. E ele também tem umas bota anti-gravitacionais que fazem ele “voar”, mas parece mesmo que ele está patinando no ar. Tem horas que você pode se perguntar se isso é realmente legal ou muito imbecil.

Isso tudo acontece nos primeiros minutos de filme. Parece confuso, mas eu ainda tentei ao máximo cortar umas gorduras, como outros mercenários que aparecem com visuais estranhos e “alienígenas”, só pra sumirem completamente da trama com a mesma rapidez com que apareceram.

É possível notar que os Wachowski (também roteiristas do filme) quiseram criar todo um universo próprio para o longa, só que enfiaram tanta coisa de qualquer jeito que tudo parece amontoado, muitas vezes sem propósito.

O pior de tudo é que você não consegue compreender se a ideia deles era criar material para sequências ou se são apenas loucos e não têm um pingo de noção.

OLHA O ESPAÇO COISA LOUCA O ESPAÇO, CARA

Quando O Destino de Júpiter resolve despirocar de vez e ir pro espaço, é possível notar que alguém trabalhou muito pros cenários e criaturas que aparecem na tela ficassem o mais detalhado possível, me passando em várias cenas a sensação de que eles mereciam um filme melhor, porque esse aí tá complicado.

E esse nível de detalhes mal aproveitados é algo que irrita bastante durante o filme e deixa ainda mais a impressão de que os Wachowski foram tendo ideias, jogando elas ali só pra encher linguiça e depois falar “Olha como o nosso universo é complexo”.

Sendo assim, fica impossível não ver que isso se tornou um padrão pra carreira deles, mostrando que provavelmente Matrix foi eles mirando no que viram e acertando no que não viram.

Jupiter

Todos os filmes após a história de como o jovem Thomas Anderson se torna o Neo (ou ele sempre foi o Neo) e salva todo mundo tem essa quantidade obscena de coisas sendo jogadas na tua cara, tentando se passar por profundidade, quando na verdade é só barulho.

Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, Speed Racer, Cloud Atlas, todos foram assim. Só que O Destino de Júpiter é tão porco que, mais de uma vez, você se pega dando risada do que não deveria, porque é do tipo “ruim que fica engraçado”.

Em uma realidade alternativa, o filme só tem boas atuações

Se você ler alguma entrevista de qualquer membro do elenco de O Destino de Júpiter falando que só escolhe seus projetos baseado em bons roteiros, saiba que eles estão mentindo vergonhosamente.

Não dá pra falar que tem alguém atuando decentemente em todo O Destino de Júpiter. Eles são péssimos? Não, mas parece que apenas estão lá, faturando um troco e depois partindo pra próxima.

Talvez o fato de que personagens aparecem e somem com a mesma velocidade, seguido de tramas cheias de camadas que não levam a lugar nenhum (e uma similaridade com Episódio 1: A Ameaça Fantasma que me deu até um arrepio), fez com todos os envolvidos não se importassem com o que estava acontecendo.

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Como era de se esperar, as cenas de ação de O Destino de Júpiter são bem feitas. Nada que reinventa a roda e que chegue perto do impacto que Matrix teve, mas elas são interessantes. Provavelmente, assim como muitos cenários e ideias que são apresentadas ao longo do filme, mereciam estar em uma produção decente em vez de aparecerem aqui.

Até o Channing Tatum saindo na porrada com um lagartão de sobretudo e asas (não pergunte) me fez acreditar que ele talvez seja uma boa escolha pra ser o Gambit no cinema. Só que o filme aqui ainda é ruim e não adianta muito dar porrada maneira porque não vai salvar nada.

O problema em comprar a ideia do próprio hype

No final dos 127 minutos de duração de O Destino de Júpiter, é possível dizer que a carreira do Channing Tatum e da Mila Kunis não vai mudar, talvez o Eddie Redmayne, mesmo indicado ao Oscar, receba um “Nossa fio” por causa da “atuação” dele nesse filme. O mesmo não pode ser dito dos Wachowski.

Com uma sequência de produções decepcionantes, dá pra falar que O Destino de Júpiter seja o último filme com orçamento grande deles por um bom tempo. A boa vontade por terem feito Matrix acabou aqui. Não dá mais pra se vender como visionários e o escambau depois de O Destino de Júpiter.

O filme mostra que eles compraram o hype de que são realmente bons e inovadores e, ao entregarem ao estúdio esse filme, que já foi adiado mais de uma vez e provavelmente será um fracasso de bilheteria, atrapalha a vida de outros diretores que gostariam de produzir histórias inéditas, mas terão que dirigir adaptações e sequências. No final dos 127 minutos, todo mundo pode sair perdendo.

RESUMINDO

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