Você sabe quando começa a assistir a um filme e, desde os primeiros momentos dele, sabe o quão tenso e pesado ele será? Tem muito filme que tenta começar normal para fazer aquela escalada da desgraça, mas outros já chegam com os dois pés no teu peito, caem em cima de você e passam duas horas apertando o teu pescoço com o pé. Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (subtítulo cretino) é basicamente esse tipo de filme.

Ari Aster, diretor dele e que já fiz o igualmente tenso Hereditário, conta aqui uma história que, na mão de outro diretor, seria mais um filme de terror com umas mortes violentas, umas músicas pra dar sustos e pronto. Só que Midsommar não é um filme de susto. É um filme que te mostra o horror de frente já no começo e prossegue aumentando o nível de bad vibes até o seu minuto final, fazendo com que ele seja um dos melhores títulos do gênero no último ano.

Começando “bem”

Midsommar começa mostrando Dani, interpretada pela atriz Florence Pugh, daquele filme sobre a Paige, da WWE, e que está em Viúva Negra (provavelmente assumindo o papel no futuro). Ela é uma jovem que está preocupada com a irmã e os pais e tenta falar com o namorado sobre isso. Desde essa primeira conversa, fica claro que o relacionamento deles existe porque nenhum dos dois teve coragem de falar “Tá ruim esse negócio”.

Midsommar

Em cinco minutos, as coisas pioram para Dani, que perde tudo o que tinha em uma tragédia. Ao mesmo tempo, o namorado planeja uma viagem para a Suécia, para a vila de um de seus amigos, para conhecer o lugar durante um festival em comemoração ao solstício de verão que dura 9 dias.

Muita ideia errada faz com que o cara acabe convidando a namorada para ir junto com seus amigos para o lugar. E daí pra frente, a história só vai ficando mais esquisita conforme você vai sabendo mais sobre os rituais e práticas dos habitantes da pequena vila no meio do nada na Suécia.

Pra ter um meio tenso

Falar sobre Midsommar sem dar spoilers pode ser um pouco complicado, então digo que ele é um filme relativamente parado, mas que não traz cenas desnecessárias. É interessante perceber depois que alguns momentos que pareciam não fazer muito sentido se amarram bem na trama conforme ela se desenvolve.

A sensação que eu comentei lá em cima, de o filme ser tenso do começo ao fim e parecer que alguém tá com o pé no teu pescoço é muito real, não só pelos acontecimentos da história, mas por o filme ser bastante centrado na figura da Dani, uma pessoa que sofre de ansiedade, depressão e ataques de pânico.

De alguma forma, o diretor conseguiu fazer com que o espectador vivencie, em uma escala consideravelmente menor, os problemas pelos quais ela passa, aumentando o nível disso conforme vamos chegando ao clímax do filme.

E dar um chute no teu peito no final

Midsommar é aquele tipo de filme que você não sabe direito como as coisas vão acabar, apenas que não vai ser bonito. Só que no fim, meio que acaba sendo(?). Eu sei que parece uma coisa bastante cretina, mas a resolução do filme não só faz muito sentido como acaba por entrega algumas das cenas mais visualmente interessantes dele. Só que mesmo com uma resolução satisfatória pra história, o filme acaba por drenar completamente o espectador, principalmente no seu terceiro ato, algo que pode fazer com que algumas pessoas acabem não curtindo muito como as coisas acontecem nele.

Mesmo assim, Midsommar é um dos filmes mais interessante a estrear em 2019 e merece mesmo ser visto, até por quem não gosta de filmes de horror. Vale lembrar que ele tem uma ou duas cenas mais violentas (BEM violentas), mas tudo dentro de um contexto que funciona bem demais.

E novamente, PAREM DE VIBE ERRADA DE INSISTIR EM RELACIONAMENTO BOSTA! Que esse filme sirva de exemplo pra todo mundo.

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