Hellraiser [Review]

Quando pequeno eu morria de medo desses filmes de terror. Ficava com medo só de ver alguém ruivo e lembrar do Chucky. Era aterrorizante. Em partes por conta disso, e também um episódio envolvendo uma bola de boliche e um palhaço (não pergunte), meu amor e apreciação por filmes de terror chegou um pouco mais tarde.

Hellraiser não foge do conceito dos filmes antigos, dá uma ligeira atualizada para encontrar novos fãs para a franquia, o que funcionou relativamente bem, porém não entrega a mesma vibe que me cativou tanto no filme original. Eu nem comento das sequências porque a qualidade ali é tão questionável que prefiro nem cutucar esse vespeiro.

A ideia aqui continua um quebra-cabeça maldito que teoricamente é super difícil, mas curiosamente qualquer imbecil consegue resolver (isso desde os filmes antigos) e isso garante uma visita dos Cenobites. Eles vêm de uma região do inferno onde a dor e o prazer estão intimamente ligados e é exatamente isso o que eles vêm oferecer a quem conseguir abrir o quebra-cabeças.

O bem bolado do novo filme é que o quebra cabeças tem várias soluções, cada uma finalizada deve ser acompanhada de uma gotinha de sangue (gota o cacete! Sai um bisturi do bagulho para arrancar a picanha fora, mas ok), após isso um dos Cenobites vem coletar o seu prêmio. Uma torturazinha básica em quem enfiou a mão na lâmina. E o negócio dói, afinal, nós humanos ainda não conseguimos apreciar o vasto universo da safadeza com couro e faca que eles curtem.

Aqui é onde o filme deixa bastante a desejar. O design dos Cenobites deixa muito a desejar. Claramente é uma fantasia que eles estão vestindo, um macacão de lycra que tem ali uns desenhos maneiros que lembram umas contorções de tendão, músculo, pele e sei lá mais o que tem dentro da gente. Eu não gostei disso não. No filme antigo as mutilações físicas eram mais integradas com peças de roupa e dava uma impressão maior de realismo.

A história também não tenta fazer nada muito novo, bebe bem da fonte do anterior com uns twists moderninhos. Tenho uma certa nostalgia com o original pois ele é um filme mais contido e sabe que não precisa de nada muito grandioso para contar a sua história

Vale assistir? Claro, com certeza você já gastou horas da vida e internet com coisa muito pior. Vai sem medo de ser feliz.