Entre Facas e Segredos: trairagem e mistério em um dos filmes do ano

Filmes de mistério que parecem uma imensa partida de Detetive são bem divertidos, até porque começam a inventar meios mirabolantes pra jogar a narrativa de um lado pro outro e fazer o espectador tentar adivinhar quem é o culpado. Entre Facas e Segredos, novo filme de Rian Johnson, de Brick, Looper e Star Wars: Os Últimos Jedi, tenta usar esse climão para contar uma história que consegue ser diferente e usar um dos melhores elencos em um filme só nos últimos anos.

Thrombey no sotão com o punhal

Entre Facas e Segredos conta a história da família Thrombey e o fatídico aniversário do patriarca Harlam Thrombey. No fim da festa, os convidados vão embora, apenas para no dia seguinte encontrarem o corpo de Harlam, um famoso escritor de romances de mistério, morto em um aparente suícidio.

As coisas pareciam resolvidas até o investigador particular Benoit Blanc, interpretado com um sotaque maravilhoso pelo Daniel Craig, aparece para entrevistar a família e a cuidadora de Harlam, a jovem Marta.

Entre Facas e Segredos

Não demora muito para perceber que algumas figuras teriam motivo para apagar o velho, o que faz com Blanc comece a investigar o caso como um possível assassinato.

A estrutura inicial do filme é bem no esquema “Quem matou?”, usada em várias histórias. Só que Entre Facas e Segredos acaba por surpreender o espectador com a ordem que os fatos são apresentados.

Falar mais sobre isso é entregar um baita spoiler, mas é como se em vez de você passar o filme inteiro catando peças para montar um quebra-cabeça no final, ele simplesmente te entregasse quase todas as peças logo no início e segurasse as três últimas pro final.

Parece uma coisa de louco que tiraria toda a graça do filme, mas na verdade, ele acaba por fazer com que o espectador fique ainda mais atento para saber se não deixou nada escapar.

Um BAITA elenco

O roteiro de Entre Facas e Segredos é realmente bom, porque ele segura a atenção do espectador desde o início e consegue, sem fazer muito esforço, apresentar personagens interessantes e que você sente que têm uma personalidade própria e que poderiam tocar a sua própria história, momentos em que cutuca a ferida de diferenças sociais, políticas e, além de tudo, consegue entregar momentos engraçados que funcionam muito bem.

Só que o roteiro poderia ser maravilhoso e ainda assim o filme ser ruim não fosse o elenco. Todo mundo no filme brilha, uns mais, outros menos, mas ninguém tá mal ali. Os verdadeiros destaques estão com o Daniel Craig, no papel do Benoit Blanc, e da Ana de Armas, como Marta.

Entre Facas e Segredos

O Craig parece estar se divertindo no papel, que segundo o diretor, poderia até render mais filmes estrelados por ele. Já a Ana de Armas praticamente leva o filme inteiro nas costas, até por ser em boa parte, a pessoa que leva a história para frente. Não é a toa que os dois foram indicados aos Globos de Ouro e não seria um absurdo ver pelo menos a Ana de Armas indicada ao Oscar (se leva, aí já são outros quinhentos).

Em resumo

Entre Facas e Segredos é um baita filme. Mostra mais uma vez a qualidade do Rian Johnson como diretor (não se fala mal de Os Últimos Jedi porque apenas os errados fazem isso) e roteirista, entregando o que pode ser um dos melhores filmes de 2019. Não sei ainda se é o melhor, mas tá ali perto do topo com certeza.

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