Desculpe o transtorno, mas preciso falar de Bruxa de Blair

Antes é preciso dizer que o primeiro Bruxa de Blair (1999) foi o único filme que me fez perder o sono. Nunca tive medo ou coisa parecida de filmes de terror (não me perguntem o motivo), e ver aquela agonia de três jovens perdidos em uma mata com coisas bizarras rolando me deixou bem incomodado.

Na época, não existia internet como hoje em dia, portanto a (sensacional) jogada de marketing fez com que eu fosse ao cinema achando que tudo era verdade. Confesso que não imaginei uma bruxa ou algo sobrenatural aterrorizando o grupo, mas alguma seita ou um bando de psicopatas botando o terror na moçada. Quando descobri que tudo era uma mentira das grandes, me senti 99% panaca, mas aquele 1% felizão por conta da experiência que passei.

Dezessete anos depois o clássico ganhou uma sequência (NÃO, Bruxa de Blair 2 deve se apagado da história e não considero uma continuação). E logo no primeiro trailer oficial como Bruxa de Blair, o filme me fez sentir uma espécie de nostalgia e empolgação, mas, ao mesmo tempo, um pé atrás, pois sabemos como o cinema gosta de castigar certas sequências. Principalmente quando o gênero é o horror.

Me caguei muito vendo essa cena
Me caguei muito vendo essa cena

Não se preocupe em chegar cedo, os lugares são marcados

O novo filme começa da pior forma possível. Sério, se você chegar atrasado na sessão, levante a mão pro alto e agradeça a Deus, pois ele está te dando uma benção. Se você for pontual, prepare-se para cerca de 40 minutos de pura enrolação.

Sem qualquer spoiler direto, já que tá tudo no trailer, o pretexto para que tudo ocorra é simples demais: o irmão da protagonista do primeiro filme quer ir em busca da irmã desaparecida depois de achar um suposto vídeo dela no YouTube. Para isso, ele vai atrás do rapaz que jogou a cena na net em busca de mais informações, como por exemplo onde ele achou o cartão etc.

A irmã que o trouxa ainda acha que está viva depois de 16 anos sumida
A irmã que o trouxa ainda acha que está viva depois de 17 anos sumida

Bom, vou ignorar o fato do cara ter esperado 17 anos para isso, da quantidade de equipamento que ele vai usar nessa busca e de muita boa vontade de seus amigos em encararem todo o perrengue para encontrar alguém que tudo leva a crer que foi papear com o capiroto faz tempo.

Como falei, são 40 minutos MUITO previsíveis. Principalmente para quem assistiu o filme original. Se não bastasse, há furos no enredo e interpretações muito ruins. Há uma vontade enorme de sair do cinema, mas… o que faz valer a pena vem em seguida!

Serio, isso faz valer o ingresso!

Quando a treta começa a ficar feia, aí sim a empolgação começa a surgir. Corri o risco de quase ter uma bexiga explodida de tamanha vontade de urinar confrontando com a tensão do que aquelas cenas mostravam. Não só tensão, mas MUITA NOSTALGIA.

Por muitos anos, achei que Bruxa de Blair (o original) deveria ter pelo menos uns 10 minutinhos a mais ao invés de acabar daquela forma brusca. Ao mesmo tempo desconfiava que esse 10 minutos poderiam estragar tudo, e talvez eu conseguisse dormir numa boa com algum (de)feito especial ou coisa parecida.

Hoje tenho uma certeza: o final do atual Bruxa de Blair seria PERFEITO no fim do filme anterior. Muita coisa se encaixaria. Poderia perder boa parte do mistério e da inocência que tirou meu sono, mas ao mesmo tempo seria aclamado pelos fãs do gênero.

Calma, não se decepcione, demora, mas a coisa engrena!
Calma, não se decepcione, demora, mas a coisa engrena!

A reta final do filme faz com que todos aqueles sentimentos do primeiro filme explodam na sua cara. Tensão, curiosidade, suspense, pavor, e um medo de recolher as mãos. Tudo isso em um cenário nostálgico que, com a evolução dos efeitos especiais e qualidade de vídeo, fez com que tudo ficasse mais nítido e mais apavorante.

O famoso método de colocar o espectador em primeira pessoa funciona perfeitamente e é um tapa na cara de mão cheia na franquia Atividade Paranormal, REC, Cloverfield e tantos outros. É Bruxa de Blair dizendo”Aqui não queridinha, sou eu que mando nessa p#$&@!” Porém, é preciso dizer que causa um certo desconforto visual e em muitos casos foi preciso fechar os olhos para não se sentir tonto ou coisa parecida.

Chupa Atividade Paranormal, I'm the boss!
Chupa Atividade Paranormal, I’m the boss!

Em resumo: Bruxa de Blair atual peca muito em demorar a entregar o jogo. Talvez se ESSE fosse o original, com toda aquela jogada de marketing, sem internet para entregar, Diego otário no cinema e tudo mais, facilmente estaria lá no topo dos clássicos do terror.

Entretanto, é uma sequência com um início mal escrito que serve de pretexto para um desenrolar claustrofóbico, apavorante, angustiante e tantos outros sentimentos que um filme de horror de qualidade consegue apresentar.

 

Diego Borges

Manjo de videogames e LEGO

>| Twitter

Leia Mais
Tem na Netflix #15 — Harry Potter in love, 007 e Western