Crítica: Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa

É inegável que a personagem da Harley Quinn ficou muito mais famosa do que já era depois da sua estreia no cinema em Esquadrão Suicida, com uma atuação inspirada da Margot Robbie e que se tornou um dos (poucos) pontos altos do filme. Não ia demorar até que ela ganhasse um novo filme, que chega na forma de Aves de Rapina e Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa, que todo mundo vai chamar só de “o filme da Harley Quinn”. Porque sim, apesar do título e do resto do elenco (maneiro), é um filme da Harley Quinn, por bem e por mal.

Aves de Rapina tem uma história relativamente simples de entender, muito mais do que os trailers aparentam. Aqui, Harley Quinn finalmente se libertou das garras do Coringa e resolve que vai viver sua vida independente. O problema é que ela não considerou que o relacionamento com ele é que a mantinha longe das garras de praticamente todo mundo de Gotham que queria deitar ela no soco, mas não podia.

Aliado a isso, outras personagens vão se juntando em uma trama de roubo de diamantes e a ascensão de um novo grande chefão de Gotham, o Máscara Negra.

O filme não tem grandes reviravoltas e é bastante previsível, porém, funciona direitinho sem ofender o espectador. Acho que o maior problema dele é ter um título como AVES DE RAPINA e elas serem basicamente coadjuvantes pra uma história da Harley Quinn.

Harley Quinn: legal, mas em doses menores

Aves de Rapina tem um problema que depende do quanto você gosta da Harley Quinn. Se você é fã da personagem, vai ficar faceiro do começo ao fim, já que mesmo tendo mais personagens apresentadas, ela ainda é o foco da história. Se você não suporta ela, bom, por que tá assistindo esse filme?

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa me provou que a Margot Robbie é um enorme motivo pelo qual a personagem funcionou no cinema, já que ela consegue transmitir aquela energia doentia dela.

Ao mesmo tempo, ter tanto a Harley Quinn em destaque também mostra que talvez ela funcione melhor em doses menores, mesmo ela tendo um desenvolvimento muito melhor do que o visto em Esquadrão Suicida, conseguindo ser algo além da “namorada do Coringa”. Principalmente quando se tem personagens mais interessantes em torno dela e que não recebem a mesma atenção.

Eu realmente quero ver um filme das Aves de Rapina

E aí entra a questão que eu acho que tenha sido o real motivo pela Margot Robbie ter deixado de lado o filme das Gotham City Sirens e transformado o filme da Harley Quinn na apresentação das Aves de Rapina. Apesar de a história ser bastante centrada na ex-namorada do Coringa, ela também serve pra apresentar Renée Montoya, Dinah Laurel Lance, Helena Bertinelli e Cassandra Cain.

Aos poucos, você vai conhecendo um pouco sobre cada uma delas e como elas se apresentam como suas versões “heroínas”, mas o filme, espero que intencionalmente, sempre deixa tudo com um gostinho de quero mais.

Harley Quinn e as Aves de RapinaUm exemplo é quando é apresentada a história da Helena, interpretada pela Mary Elizabeth Winstead. Durante boa parte do filme, ela só aparece executando uma galera, sem falar nada. Quando ela finalmente é oficialmente apresentada, a maneira como a personagem age é muito mais legal do que eu imaginava e me fez pensar como eu queria ver mais dela no filme. O mesmo vale para a Canário Negro, interpretada pela atriz Jurnee Smolett-Bell.

Só que o filme mostra as personagens e quando você começa a se empolgar, puxa de volta o fio pra Harley Quinn, que tá bem mais desenvolvida aqui, mas por sempre ficar entrando no caminho, me deixou com uma sensação de “tá bom, chega de Harley Quinn e mostra as outras minas que são bem mais interessantes”.

E talvez esse seja o plano da diretora Cathy Yan, de usar a Harley Quinn como uma forma de puxar o público e aí apresentar essas novas personagens para que as Aves de Rapina possam voar sozinhas (trocadilho cretino, mas tô aqui pra isso mesmo).

Divertido e violento pra cacete

Aves de Rapina é um filme basicamente feminino, com alguns personagens como o vilão Máscara Negra, interpretado COM GOSTO pelo Ewan McGregor, mas o foco fica mesmo no elenco feminino. Muita gente tonta reclamou disso antes de o filme ser lançado, mas devo dizer que é uma história que deve ter um impacto maior em mulheres, mas ainda funciona muito bem pro outro gênero.

As personagens são bem construídas (na medida do possível, já que, como citado, a Harley Quinn sempre puxa a história pra si), as cenas de ação são muito bem feitas e o humor do filme funciona, desde que você já tenha uma noção do que esperar dos filmes feitos pela DC (apesar de ser uma sequência de Esquadrão Suicida, Aves de Rapina já faz parte do DCEU pós-Snyder, o que dá uma aliviada considerável no “OLHA COMO SOU SOMBRIO”, mas ainda tem uns momentos “mãe, sou adulto” que não funcionam TÃO bem assim).

No geral, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa é um filme bem legal. Dificilmente se tornará o filme favorito de alguém, mas é divertido e me deixou com vontade de ver mais da maioria das personagens que estão ali. Tomara que ganhe dinheiro o suficiente para que isso aconteça. Realmente quero ver aquela Caçadora e Canário Negro descendo a porrada na bandidagem.

PS: Meu maior problema com o filme é que TODAS as tretas dele são grandes o suficiente para chamar atenção de um bilionário paranóico que vive em Gotham e tá SEMPRE DE OLHO, mas que não aparece em nenhum momento. Eu sei que o filme é das minas, mas vamos pela lógica daquele universo: Onde tava o Batman durante todo o terceiro ato? Pelo menos não tem Jared Leto…

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