Cinquenta Tons Mais Escuros de CREDO ESSE FILME!

Quando Cinquenta Tons de Cinza foi lançado, uma legião de mulheres viram na fanfic que virou coisa séria como um novo grande romance, com um homem perfeito e uma boa dose de putaria. Claro que, se você parar pra analisar BEM os livros, o homem perfeito é doente, o romance é raso e a putaria, apesar de explícita, é meio cretina. Fora que é bizarro ter uma tiazinha lendo sobre um maluco enfiando coisas numa moça no ônibus, para no segundo seguinte, olhar torto porque um dos grupos do Telegram do seu celular traz a palavra “Bucetão”.

Fui ver o primeiro filme pensando “Ok, eles não vão colocar toda a putaria, mas que pelo menos façam a historinha valer a pena”. Spoiler: não fizeram. Cinquenta Tons de Cinza consegue, com um elenco que até não é de se jogar fora, fazer um filme HORRÍVEL, que não consegue ser nem um pouco sensual ou romântico. Mas como eu ri.

Então, quando Cinquenta Tons Mais Escuros, nome igualmente cretino da sequência foi anunciado, pensei “Pelo menos vou dar umas risadas”. Pois bem, assisti e, sinceramente, se você é alguém que tá empolgado com esse filme, talvez gostou do primeiro e não posso fazer nada pela sua alma. Ela já tá perdida.

Alguém prenda esse moço

Continuando a história do primeiro filme com diferença de dias, vemos Anastasia Steele começando sua vida sem Christian Grey, o sujeito com “gostos peculiares” e que se não fosse rico, já teria recebido alguma notificação pra ficar longe da moça.

Sério, eu fico bem incomodado com o fato de acharem que o maluco é “romântico e perfeito”, sendo que ele claramente quer dominar todos os aspectos da vida da mulher, comprar todo mundo e agir como dono de tudo e de todos. Isso sem nem falar das patetices de “Nossa, ele tem 27 anos, mas já é milionário, pilota aviões, sabe lutar, é bonito” e tudo mais. Christian Grey, como nos livros, é o sonho molhado de uma mulher que, sei lá qual bruxaria foi empregada, passou pra uma legião que fez esse negócio render milhões.

Como se não bastasse, o filme ainda é escrito pela “autora”, então eu não sei porque fiquei impressionado com o fato de ele ser horrível.

Lampejos de personalidade enterrados em um roteiro medonho

A história de Cinquenta Tons Mais Escuros (do que?) poderia girar em torno de Christian Grey, milionário e doente (e nem falo dele dar umas porradas na hora de mandar ver), apaixonado por Anastasia Steele, tentando recuperar a moça, que foi embora no final do primeiro filme (ruim).

Uma trama assim teria certo potencial na mão de alguém que presta, mostrando conflito, uma pessoa fechada e com problemas no seu passado, se abrindo para outra. Porém, estamos falando de algo na mão de alguém incapaz e é óbvio que daria merda.

Logo nos primeiros minutos do filme, vemos que a moça tá tocando a vida, sente saudade do maluco, mas vida segue.  Eles se reencontram em uma demonstração doentia de stalker e resolvem conversar. Ela reclama que ele não se abre e tudo mais e parece firme, mostrando uma personalidade inexistente no primeiro filme. Parece que o negócio vai por aquele esquema de ele tentando recuperar a afeição da moça.

Então, Grey fala “Minha mãe era viciada em crack e morreu quando eu tinha 4 anos”. Num esquema de 0 a 100 em 0,13 segundos, a moça muda de opinião e o cara já tá falando de comer ela.

Esse é um dos maiores problemas do filme. Tudo vai de 0 a 100 muito rápido, então as cenas não fazem sentido.

Christian Grey, em dado momento, tem um acidente de helicóptero, junto com uma sócia de suas empresas. Bombeiros e equipes de resgate não conseguem encontra-lo.  Todos pensam “Fodeu”, menos a sua família, que apesar de demonstrar leve preocupação, tratam a situação como “Vai dar tudo certo. É O CHRISTIAN”.

Ok, poderia ser um mecanismo de defesa frente a uma desgraça, porém, segundos depois é informado na TV que bombeiros encontraram Grey. Que beleza, que alegria, mas UM SEGUNDO DEPOIS, ele entra em casa, um pouco sujo e perguntando o que todos estão fazendo ali, tratando UMA PANE EM UM HELICÓPTERO QUE CERTAMENTE NÃO ATERRISOU SUAVEMENTE E OCASIONOU EQUIPES DE BUSCA IREM ATRÁS DOS DOIS E NÃO OS ENCONTROU POR HORAS, como algo trivial, como se tivesse caído de bicicleta.

Sério, vai se ferrar
Sério, vai se ferrar

Minutos depois, ele ainda tem pique pra fazer sexo no chuveiro e, no dia seguinte, sair na maior disposição para aproveitar uma festa de aniversário.

Em vários momentos, vemos Dakota Johnson, a moça que faz a Anastasia, demonstrar que tem certo carisma e talento, mas isso é completamente enterrado com um roteiro HORRÍVEL, com diálogos sofríveis e situações ridículas, que parecem ter sido escritos por alguém com um caso severo de retardo mental.

Pra alguém com uma salinha só pra isso, Christian Grey não parece manjar muito das putarias

Além do romance extremamente mal feito, Cinquenta Tons Mais Escuros se vende muito na putaria. Apesar de a Dakota Johnson de fato ser uma moça bem formosa, as cenas causam muito mais risos do que aquela excitação. Por exemplo: em dado momento, Anastasia tem suas mãos amarradas para trás e Christian Grey se prepara para dar uns tapas na bunda da moça.

Vejam bem, Christian Grey tem anos de experiência sentando a porrada na mulherada durante o sexo. Ela fala várias vezes que chega até o limite e tal. Você logo imagina que, se é um tapa, ele vai pelo menos dar uns de estalar. A situação pede por isso.

Essa cena é RIDÍCULA!
Essa cena é RIDÍCULA!

Então, no filme, Christian Grey faz uma pose em que parece estar mirando uma mosca na bunda de Anastasia Steele e lhe aplica uma sequência de tapas que baseado na pose, velocidade e barulho, são mais fracos do que tapas que eu dei jogando bafo. E cara, se a minha virada de figurinha de álbum do Campeonato Brasileiro de 97 foi mais forte que o tapa na bunda da moça, VOCÊ NÃO MANJA DE PORRA NENHUMA!

O filme tem muito peitinho, tem uns dois momentos de “Ok, isso vai ficar interessante? Não, não vai mesmo”. Eu ainda não consigo compreender o apelo dessa desgraça quando tem MILHARES de filmes muito mais interessantes com temas bastante similares.

Os diálogos. MEU DEUS DO CÉU, OS DIÁLOGOS

Sei que já comentei que os diálogos do filme são horríveis, mas devo comentar mais sobre eles, porque são de outro nível. Sabe quando uma pessoa escreve um fanfic e, mesmo ela não tendo talento algum pra escrever, ainda o faz com um fervor doentio, vomitando palavras que, se ditas por pessoas de verdade, sentiriam vergonha? Então, agora você tem uma noção do nível dos diálogos do filme.

Volta e meia, alguém fala algo que parece ter saído do cérebro de uma pessoa que consegue conversar sem babar ou que no inverno, não passa fome porque a grama fica marrom. Tudo é tão nível “ensino fundamental” de construção de frases que apenas fica mais risível quando resolvem falar putaria.

Muito do que é dito nos momentos mais “quentes” do filme parecem ter sido escritos por alguém que nunca passou por uma situação parecida na vida. É tudo tão artificial e “É assim que seria se eu tivesse a chance de tornar realidade” que é impossível não pensar que aqueles atores já conseguiram entregar boas atuações, então devem estar ganhando uma grana violenta pra fazer essa desgraça.

O melhor jeito de exemplificar o jeito maravilhoso que o filme foi escrito, é com a seguinte frase dita por Christian Grey:

“Você me ensinou a foder. Ela me ensinou a amar.”

Eu só não larguei mão e fui embora depois de ouvir isso porque já tava perto do final do filme, mas eu ri. MALUCO, COMO EU RI.

Conclusão

Se você está empolgado para assistir Cinquenta Tons Mais Escuros (DO QUE?), não faço ideia do que está fazendo aqui. Se você já viu e queria uma opinião, provavelmente já encontrou meio mundo falando que é uma bosta.

Eu acho que o maior problema mesmo de Cinquenta Tons Mais Escuros é que a ideia dele não é ruim. Ter um milionário com um passado traumático e que usa de dominação como uma forma de lidar com isso, junto com uma moça que pode fazê-lo ver uma forma diferente de viver, na mão de alguém que saiba escrever, pode render algo interessante. Não sei se muito bom, mas passável.

Cinquenta Tons Mais Escuros falha em todas as partes possíveis. Como romance, ele mostra um sujeito que se não fosse rico, merecia ser preso. A moça, apesar de demonstrar ter um cérebro em alguns momentos, esquece no segundo seguinte pra se entregar por maluco e proferir algumas frases grotescas.

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Notem que eu nem falei de um plot sobre uma mocinha que o Grey costumava comer antes e que volta perturbada, ou do chefe da Anastasia que é do mal e voltará na terceira e última parte. Não falei porque é tudo muito ruim. É um filme de duas horas que passa a sensação de ter 73.

Cinquenta Tons Mais Escuros (de chorume, provavelmente) é um filme ruim. Não é um filme que te deixa esperançoso com o amor, excitado ou empolgado com uma boa história. É um filme que certamente ganhará todos aqueles prêmios de “Pior filme do ano”, a não ser que surja alguma bomba absurda ao longo de 2017.

Ele desperdiça um bom elenco com uma produção horrível e isso me deixa mais triste. Talvez não tão triste quanto o fato de que sua terceira parte (Vão chamar de Preto? Porque mais cinquenta tons mais escuros de cinza já tá preto essa merda) já foi filmada e eu vou assistir. Talvez porque eu me odeio. Talvez porque é o mais próximo de algo que cause dor ao assistir esses filmes.

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