Brightburn ou “Superman do mal”

Quando o primeiro trailer de Brightburn foi lançado, a ideia de um filme que mostrava o que aconteceria se em vez do Superman crescer como uma criança bondosa, ele fosse um vilão. Produzido pelo James Gunn e escrito pelos seus irmãos, o filme tinha potencial e poderia ser algo muito maior.

Eis que depois de assistir ao filme, ele realmente é exatamente o que todo mundo esperava, mas podendo abrir caminho pra um novo tipo de filme com pessoas cheias de poderes.

É tipo Homem de Aço, mas melhor

Durante os primeiros minutos de Brightburn, fica bastante claro que o filme não pode usar Superman, Kal-el, Kripton e Kent, mas é BASICAMENTE ISSO AÍ. Chega a ser engraçado como algumas cenas parecem bastante com aquela porção legal de Homem de Aço. Só que quando a ação começa, em vez de ficar esquisito, como o filme do Zack Snyder, fica tenso, como deveria ficar aqui.

A história é a mesma. Um jovem casal vive em uma fazenda, sem filhos, até que uma nave cai por perto com uma criança, que eles resolvem criar. Ao atingir certa idade, a criança começa a mostrar ter poderes.

Se na origem do Superman, o papel dos Kent é crucial para que ele cresça como alguém bondoso que quer ajudar o próximo, em Brightburn o tom mais realista mostra que se você é um pai só aceitável e teu filho é uma máquina de matar de outro planeta, a chance de dar merda é imensa.

O trailer mostra bem o que você deve esperar, mas é interessante como ele pega o molde do filme do Zack Snyder, e não exatamente da origem do Superman, e trabalha em cima daquilo. Até mesmo a fotografia é similar em várias cenas, só que a história acaba se desenvolvendo melhor indo para esse lado mais sombrio do que gente de capa socando prédio pra salvar os outros (um jeito peculiar, mas beleza).

O nascimento de um vilão

Normalmente, ao assistirmos um filme de origem com alguém com poderes, o lado ruim é sempre visto como uma contraparte do lado bom, focando no herói descobrindo seu chamado e, eventualmente enfrentando o vilão. Brightburn basicamente corta metade dessa dinâmica e mostra a origem de uma pessoa ruim que pode destruir todo mundo com facilidade.

A tensão do filme vai crescendo conforme você vê o jovem Brandon descobrir seus poderes e começar a usá-los de maneira egoísta e psicopata, e que praticamente não existe ninguém para pará-lo.

Isso acaba gerando algumas cenas bem interessantes e uns momentos bastante violentos, algo que pode impressionar algumas pessoas. Só que isso ajuda a criar todo aquele universo, que pode ser maior do que o esperado.

Brightburn é um filme com um ritmo relativamente lento, mas que entrega direitinho aquilo que você esperava, em cima de sua premissa, e me faz querer ver mais dele. Porque, se existe um vilão, eventualmente um herói precisa aparecer para tentar pará-lo. E é aí que as coisas vão ficar realmente interessantes.