Eu acho que um bom jeito de começar esse texto é explicar exatamente do que ele se trata. Há algum tempo, venho pensando em escrever algo além de “esse filme/série/jogo presta/é meia boca/lixo”. Eventualmente, vai acontecer de mencionar algumas coisas que fazem parte de cultura pop, mas isso aqui é basicamente eu falando sobre a vida, só que em vez de um blog pessoal, aqui no Puro Pop.

Sinceramente espero que mais pessoas que escrevem aqui (o que no momento sou apenas eu) possam fazer o mesmo e isso aqui se tornar não só um repositório de notícias empolgadas com coisas hypadas. Esse texto vai falar sobre relacionamentos, trabalho e como, muitas vezes, a melhor coisa que você pode fazer é simplesmente tocar a vida.

Só pra constar, a imagem ali é meramente ilustrativa. Era isso, que se parar pra analisar, até tem um pouco a ver com o texto, ou uma imagem tipo da pomba voando no oceano, junto com um CHICO XAVIER em cima.

Durante muito tempo, eu tive um grande problema que é não saber a hora de largar mão das coisas. O simples ato de abandonar alguma coisa, alguém ou ideia é considerada como uma fraqueza por muita gente, mas alguns anos tomando na cabeça me fizeram ver que aquela coisa de cinema, de que no final tudo dá certo, é, na maioria das vezes, só isso. História de cinema.

Eu tinha meio que planejado como as coisas seriam. Eu tinha em mente o tipo de trabalho que queria ter, quem eu queria na minha vida. Tudo. Só que a vida é uma cadela e nem sempre as coisas saem como planejado.

O trabalho dos meus sonhos, no qual eu realmente acreditei por muitos anos, acabou sendo uma via de mão única. Acreditei veemente que aquilo seria o meu futuro, que seria a atividade que eu desempenharia por muitos anos, evoluindo junto com a coisa toda. Eu via todo o potencial que aquilo tinha.

Acabou que eu fiquei doente e sem vontade de fazer aquilo que tanto amava porque as coisas simplesmente não deram certo. Até hoje estou me recuperando disso. E o mesmo pode ser dito sobre relacionamentos.

Quase ao mesmo tempo, surgiu alguém que eu gostava e realmente acreditava ser A pessoa, só que ela não sentia a mesma coisa. De um jeito bonito e patético, eu botei na cabeça que ela era o amor da minha vida, o problema é que eu não era o amor da dela. Só que em vez de pensar “Bom, dane-se”, eu continuei ali, porque, sei lá o motivo, eu ACREDITAVA. Obviamente, isso só me trouxe desgraçamento da cabeça e devo dizer que por minha culpa.

Assim como acontecia com a questão do trabalho, eu tinha aquela coisa de que uma hora as coisas mudariam. Tudo daria certo no final. Só que não deram.

Mesmo assim, eu continuei me esforçando.

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Eu escrevi o que talvez é o meu melhor texto na internet, aquele sobre a Summer, de 500 Dias com Ela, não ser uma vadia (de fato, não é. Sem tato pra cacete, mas vadia não).  Isso melhorou um pouco o jeito que eu via as coisas, mas mostrou outro lado que eu deveria aceitar. Só que eu ainda insisti. Até um momento em que não dava mais.

O trabalho que eu acreditava, que sentia ter um potencial incrível não só pra mim, mas para todos os envolvidos nele, ficou pra trás. Além de perceber que não tava me trazendo nada, eu estava começando a me indispor com a pessoa que me deu uma chance e me fez acreditar que talvez eu soubesse escrever algumas bobagens na internet e as pessoas realmente prestarem atenção. Isso acabou pesando mais que os diversos problemas que estavam acontecendo.

O relacionamento deu em algo similar. Nada, mas hoje eu consigo a ver como uma das pessoas que me moldaram no que eu sou hoje. Uma pessoa que eu considero pro resto da vida. No final das contas, as coisas mudaram e eu precisei me adaptar.

Tá e qual é o motivo desse desabafo do cacete?

Quando eu resolvi escrever esse texto, eu tinha apenas um objetivo: superar aquele meu texto da Summer. Ele parecia uma pedra no meu caminho, pois tinha a impressão que eu nunca conseguiria escrever algo melhor. Existe a possibilidade desse aqui ou qualquer outro conseguir superar, mas o simples fato de eu estar escrevendo já demonstra uma mudança no meu pensamento.

Assim como parecia uma teimosia absurda ficar na sombra daquele texto (que desde 2012 ainda é compartilhado por aí), a simples ideia de seguir em frente parece algo que muita gente ainda não entende, assim como eu mesmo não entendia.

Eu demorei quase uma década pensando nisso e posso falar que, se por um lado ter insistido tanto me trouxe até onde estou hoje, essa insistência também me privou de muitas coisas. Durante muito tempo, eu tive momentos em que pensei “Isso não está me fazendo bem/me trazendo vantagem”, que eu poderia ter “seguido com a vida” e não o fiz. Tudo porque “eu tinha um plano”.

O maior erro que nós podemos cometer é acreditar que as coisas vão se adaptar aos seus planos porque sim. Que não importa o que aconteça, algo vai colocar tudo nos eixos e tudo dará certo. Acreditar nisso é colocar todas as suas fichas em algo que você, na maioria dos casos, não tem controle algum.

O “trabalho dos teus sonhos” pode não atender às suas expectativas e nem nunca o fará. Será que vale a pena continuar assim, dando murro em ponta de faca para tentar mudar algo que não vai, enquanto você poderia estar fazendo outra coisa e sendo muito mais feliz?

Você acredita que uma pessoa era o amor da sua vida, mas por um acaso as coisas não deram certo, não se feche. Se a outra pessoa não te quer, por que se fechar para todas as outras e talvez jogar uma oportunidade de ser feliz com outra pessoa que apareça na tua frente falando “vemk”? Isso sem mencionar a ideia de considerar alguém “amor da minha vida” sendo que você ainda tá vivo e nem sabe se vai ser mesmo aquela pessoa (espera o leito de morte pra bater o martelo nesse assunto).

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Eu perdi várias oportunidades na vida. Sejam elas profissionais, quando poderia ter feito algo meu quando ainda estava animado ou pessoais, com pessoas que surgiram na minha vida, pessoas incríveis, mas que eu me fechava pois estava focado em alguém que não correspondia os meus sentimentos. E depois de tomar na cabeça o suficiente, hoje eu consigo ver esses meus erros.

Eu poderia ter feito algo quando o trabalho deixou de ser proveitoso e eu só ficava desgraçado da minha cabeça, mas a minha insegurança e a esperança de que “isso aqui vai dar certo” me levaram até o limite. Eu deixei pessoas maravilhosas e que gostavam de mim passar porque eu estava focado em alguém que, pouco antes de eu aceitar a realidade, conseguia, de maneira completamente involuntária, me deixar mal fisicamente. Tudo porque eu não queria “largar a mão”.

Em 2016, eu completei 30 anos de idade. Ainda espero ter muitos anos pela frente, mas se tem uma coisa que eu aprendi, junto com um susto aí que levei, é que a vida é curta demais pra ficar desgraçando a cabeça por algo ou alguém. Por muito tempo, eu tinha o pensamento “mas vale a pena”. No final das contas, as coisas que eu mais me dediquei e “me desgracei” não deram nada do que eu planejei.

O objetivo desse texto é fazer, pelo menos uma pessoa, colocar a mão na consciência e ver que ficar passando nervoso por algo além das suas forças só é bonito na ficção. This is real life and we are playing for points.

Deixar algo para trás é difícil. Talvez você não consiga isso de um dia para o outro, mas é muito importante entender que você precisa fazer isso para não viver em função de algo que já passou.

Eu já passei por momentos em que pensei “será que fiz a coisa certa?”, mas olhar pra frente é muito mais vantajoso do que ficar sofrendo por algo ou alguém, não importa o potencial. Quem sabe assim, você pode encontrar o seu novo emprego dos sonhos, a sua Autumn, qualquer coisa, e ser feliz. Basta só seguir em frente.

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  • Soraya Montenegro

    Ótimo texto. Super me identifiquei. Senti como se eu tivesse escrito o balanço do que foi o meu ano de 2016. Uma grata surpresa encontrar esse desabafo por acaso no penúltimo dia do ano.

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