Há um tempo atrás, uma amiga minha sempre assistia a algum filme, geralmente algo que estava rolando nos cinemas, e comentava comigo sobre. Em geral, a recepção dela era bastante positiva e por vezes, calorosa em relação a obra. Acontece que, frequentemente eu tinha uma percepção diferente, o que acabava por “frustrá-la”, pois, tu fica parecendo o cara chato que estragou a alegria do amiguinho porque é o “mais descoladão” do pedaço.

Acontece que, e isso foi uma conversa que tivemos, não há prazer em ser “o chato que não gosta das coisas”. Digo isso pois, tu não quer estragar a festa, na verdade você deseja exatamente o contrário, aproveitar tanto quanto os outros. Veja bem, ninguém sai de casa sem querer comer e beber algo, se divertir e voltar satisfeito pelo dia ter acabado de uma forma melhor do que quando começou. Ninguém viaja para algum lugar no intuito de achar tudo um saco. A não ser que tu seja uma criança birrenta viajando obrigada pelos pais, daí não tem como evitar.

 

A gente quer gostar das coisas, vai. Desenvolvemos apreço para nos sentir vivos (não quero soar dramático). No sentido de, se tu adora cerveja, quando experimenta uma nova, quer ser surpreendido e descobrir sabores. Se não agradar ao paladar, tu vai evitar a embriaguez e certamente “perder uma oportunidade”. De qualquer forma existirão outras por vir.

Os indivíduos da espécie humana vivem buscando criar conexões com as coisas, desde bens de consumo à, obviamente, outras pessoas. A gente quer se relacionar, se reconhecer no outro. Por isso, inclusive, que é tão significativo quando tu encontra aquela pessoa que gosta com uma intensidade parecida daquele filme/som podreira que tu curte. As comunidades do “não gosto de X”, “odeio Y” só faziam sucesso no Orkut.

Não estou negando que o “não gostar” de algo não seja também um “ponto de encontro” com outras pessoas e até mesmo possível e necessário. A questão é, desmistificar a postura da pessoa “do contra”. Veja, se eu pudesse, amaria tudo que assisto/ouço/consumo, etc. Não existe sensação melhor do que sair daquela sessão de cinema super empolgado e querendo falar com tudo e todos sobre, etc. Acontece que não rola sempre. E quando não rola, é frustrante pra você também. Sim, você queria sentir aquela experiência de euforia e parecer a criança deslumbrada com o cheque em branco (alguém ainda usa a expressão?) na confeitaria. Mas, uma vez mais, não rola sempre.

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Em parte, o que quero dizer é que não existe uma competição de “aquele que gostar menos, vence”. Na verdade, acontece o oposto.

Quando tu se dispõe a fazer algo ou se disponibiliza para tal, espera um retorno daquilo. Quando “a experiência” não retribui o investimento, que inclui também expectativa, tu é o único a perder. Tempo, grana, sono, paciência, namorada(o) cabelo, etc. Não quero dizer que deve-se esperar algo fascinante ou que mude vidas todo tempo no cotidiano. Até porque a vida não é tão intensa e colorida quanto um conto da Disney, né?

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