Revisitando Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca

Em 1980 a cultura mundial mudou novamente – dessa vez, graças a certos eventos no espaço. No dia 1º de março daquele ano, a sonda Voyager 1 confirmou a existência de Janus, uma lua de Saturno. [Nota do editor: existia uma piadinha ali com Janus e Janis Joplin. Era muito ruim, por isso você está lendo essa nota no lugar]

Além disso, Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca chegava aos cinemas em 21 de maio para ocupar o posto de filme com o nome mais legal da história do cinema e o melhor Star Wars na cabeça da maioria das pessoas.

Será que, assim como Uma Nova Esperança e diferentemente de A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith, o segundo filme da saga é mesmo tão bom quanto a gente se lembra?

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Verdade ou história?

A Rebelião passa por um inferno astral. Embora a Estrela da Morte tenha sido destruída, tropas imperiais conseguiram expulsar os rebeldes da sua base secreta – o que faz total sentido porque por mais que a estação bélica tenha ido pelos vácuos, o Império ainda ficou sabendo onde era a base e deve ter mesmo mandado uma galera cair matando por lá.

Liderados por Luke Skywalker, um grupo estabeleceu novas operações furtivas no congelado planeta Hoth, perto de Curitiba. Dath Vader, obcecado pelo rapaz, lhe enviou milhares de mensagens no Tinder e mandou sondas para todos os cantos da galáxia para encontrá-lo.

De cara vemos Skywalker ser atacado pelo famigerado Homem das Neves após completar uma de suas rondas para posicionar sensores capazes de detectar uma possível aparição do Império. O garoto leva uma bofetada na cara, cai inconsciente e é arrastado pelo wampa (nome do bicho).

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Te vejo no inferno

Han Solo, que também estava na missão dos sensores assim como Luke, volta para a base e avisa ao General Sem Nome que precisa meter o pé para ir pagar Jabba, caso contrário será um homem morto. Ao se despedir de Leia, os dois batem boca como um par de crianças que se gostam mas não querem admitir – e já dá pra cortar a tensão sexual no ar como se fosse manteiga.

Quando o cara está checando a Millenium Falcon, C-3PO o avisa que Skywalker ainda não apareceu. Após confirmar com outros rebeldes que o garoto está mesmo desaparecido, Han monta em seu tauntaun para encontrá-lo. Alguém diz que sua montaria vai congelar antes deles chegarem ao primeiro marco e Solo responde “então te vejo no inferno”. Uma salva de palmas para esse personagem maravilhoso chamado Han Solo.

No lar cavernoso do wampa, Luke está preso no teto pelos pés enquanto o bicho come um miojo de tauntaun. O garoto tenta se libertar em vão até que avista seu sabre de luz fora de alcance. Após se contorcer como uma minhoca na chapa quente para tentar pegá-lo, ele se acalma e usa a Força para puxar o objeto enquanto o wampa se aproxima.

Skywalker se liberta, corta o braço do monstrengo e diz “espero que tu seja ambidestro palhaço” enquanto foge da caverna como se tivesse cagado nas calças. Depois de perambular pelo deserto de neve, o garoto cai no chão e vê o fantasma do mestre passado.

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O profissionalismo de Alec Guinness

Obi-Wan lhe diz para ir até o Sistema Dagobah onde aprenderá com Yoda, o mestre jedi que o instruiu – afirmação que fica meio estranha se você pensar que seu mentor na nova trilogia foi Qui-Gon Jinn. Por mais que Yoda ensinasse todo mundo e fosse um bastião da sabedoria, fica a impressão de que o baixinho verde foi o mestre do cara.

Vamos fazer uma pausa rápida para falar sobre algo que esqueci no último post: o profissionalismo exemplar de Alec Guinness (Ben Kenobi). O senhorzinho detestava Star Wars. Ele achava toda a ideia do filme boba, não botava fé nenhuma em George Lucas e tinha quase certeza que o filme seria um fracasso. Mas é admirável como o ator deu o melhor de si em todas as cenas. Respeito total.

Han avista Luke na neve e chega atropelando o fantasma de Ben, que desaparece para ir abrir B.O. na delegacia. O contrabandista socorre o garoto e vê seu tauntaun morrer de frio. Lembrando de um episódio de À Prova de Tudo, ele usa o sabre de luz do garoto para abrir a barriga do bicho e enfiar Skywalker lá dentro enquanto constrói um abrigo na neve e bebe sua própria urina.

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Climão

No dia seguinte a dupla é resgatada e Luke é colocado naquele tanque que Goku usa para se recuperar em Namekusei. Depois de melhorar e ir para um quarto, Han, Chewie e Leia aparecem para ver como ele está. É bizarro como o rosto de Mark Hamill realmente mudou por causa desse acidente antes da produção. Parece que ele envelheceu uns 10 anos. Deve ser sido feio o negócio.

Han tenta fazer com que Leia admita que está feliz por ele continuar no planeta, a dupla bate boca novamente e a princesa beija Luke para mostrar o quão errado ele está sobre ela – e C-3PO se aproxima tipo um velho tarado para ver melhor com direito a uma olhada para Solo numa vibe “IH, RAPAZ!”, é sensacional.

Não dá nem tempo do capitão twittar que bateu a bad porque a base detecta uma transmissão vinda de um objeto não identificado na superfície do planeta, o que faz com que Chewie e Han partam para encontrar a origem do sinal.

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So much cocaine

A dupla se depara com uma sonda e o inquieto wookie estraga o elemento surpresa do plano por causa de seu vício em cocaína adquirido após ser esnobado na entrega de medalhas do Episódio IV – é possível ver restos da droga ao redor de seu focinho. Han consegue explodir a sonda e o alto escalão da base rebelde, assumindo se tratar de um robô do Império, ordena a evacuação do planeta.

Enquanto isso, em algum lugar do espaço, vemos vários Star Destroyers indo cada um pra um lado por causa de um bug no Waze e ouvimos pela primeira vez o icônico tema musical de Darth Vader. Também somos apresentados ao Super Star Destroyer que é tipo um Star Destroyer normal que foi pra academia depois de terminar com a namorada e ficou gigante queimando calorias e lágrimas.

Vader, após observar a dança errante das naves no vácuo e pensar em demitir todo mundo, se reúne com uma trupe de oficiais que estava batendo cabeça sobre os dados da sonda enviada para Hoth. O sith chega falando que é lá mesmo e vira para trás ordenando que o tal general Veers prepare seus homens. É engraçado que o cara tava colado nas costas do vilão e eles quase se beijam quando o figura vira bruscamente sem perceber isso.
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Ninguém atira

Em Hoth, o plano dos rebeldes é contra-atacar a ofensiva imperial que se aproxima para ganhar tempo pra galera conseguir fugir. Além do combate terrestre, a ideia é disparar tiros com o canhão de íons para abrir passagem no espaço para os transportes.

Ok, isso abre o caminho em linha reta, mas e todos os outros Star Destroyers da frota do Império? O que os impede de atirar nas naves passando por eles? Até porque o filme não mostra os veículos saindo da órbita do planeta e imediatamente dando o salto pro hiperspaço, eles seguem normalmente por um tempo ainda. Mas ninguém atira…

A batalha na superfície do planeta começa com os AT-ATs se aproximando lentamente com seu stop-motion super bem feito (o movimento dos pistões nas pernas dos veículos é um detalhe que faz toda a diferença) e os Speeders da Rebelião alvejando-os em vão por causa da forte blindagem.

Luke então tem a ideia usar os arpões e cabos das naves para enrolar as pernas dos trambolhões e derrubá-los. O Speeder de Wedge Antilles consegue realizar a manobra em um dos AT-ATs, que tomba como um estudante cansado chegando no seu quarto. Duas naves rebeldes aparecem e atiram na “nuca” da cabine de comando e nas costas do colosso, explodindo-o.

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Legolas Skywalker

Mas peraí. Se a galera estava atirando sem efeito por causa da blindagem, como que esses tiros explodiram o AT-AT? A grana ficou curta e esse revestimento à prova de lasers foi feito apenas nas laterais? Se a “nuca” e as costas do bagulho são pontos fracos, não era só pilotar a navezinha acima do AT-AT – o que os Speeders provam que conseguem fazer na cena dos cabos – e atirar ali?

Se fosse só uma questão de descobrir o ponto fraco meio que na sorte e depois aparecessem outras naves rebeldes atirando direto nessas partes específicas, tudo bem. Mas logo em seguida Wedge e Luke se preparam para nova investida com os cabos. Amigos, vocês não precisam se dar ao trabalhão de derrubar os AT-ATs, pelo amor de Deus.

A nave de Luke é atingida e cai na neve, mas o moleque consegue sair a salvo antes do veículo ser esmagado pela pata de um dos gigantes imperiais. Skywalker, depois de usar o Konami Code, se pendura embaixo de um AT-AT e usa o sabre para jogar um bomba dentro do bicho, explodindo-o sozinho. Assim que o garoto chega no chão, Gimli diz “esse ainda conta como um!”.

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Uma excelente cena deletada

Dentro da base rebelde que começa a ruir, o vício de Chewie o atrasa nos reparos da Millenium Falcon, fazendo com que Han perca a paciência e vá buscar Leia que ficou para trás com C-3PO na sala de comando. O malandro encontra os dois e o trio trata de meter o pé porque tropas imperiais invadiram a base.

O grupo passa por uma salinha com um sinal ilegível colado na entrada e na versão final do filme isso é totalmente irrelevante. Mas foi gravada uma cena deletada sensacional na qual C-3PO para e arranca o sinal, fazendo com que snowtroopers mais tarde abram a sala para investigar e um deles seja puxado por um wampa.

Han, Leia, o filósofo maluco e Chewie entram na Falcon e após alguns problemas mecânicos com C-3PO tentando falar alguma coisa e sendo ignorado, conseguem fazer a nave decolar e deixam Hoth, passando por Luke na superfície ao fundo que grita “vocês eram a minha carona!”.

Por sorte sua X-Wing com R2 de brinde estava ali perto e o moleque logo deixa o planeta – estranhamente sem dificuldade nenhuma e sem ver sequer um Star Destroyer em órbita. Skywalker altera a rota da nave e avisa ao astrodroide que eles vão para o Sistema Dagobah ao invés de se reagruparem com os outros.

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Barbeiros espaciais

Sem a mesma sorte de Luke, a Millenium Falcon é perseguida por um Star Destroyer e alguns TIE Fighters enquanto mais duas gigantescas naves aparecem logo à frente. Han faz manobras radicais para tentar escapar e dois dos Destroyers que estavam em direções opostas chegam a colidir (de leve). No espaço. Os caras batem no espaço. Imagina essa galera dirigindo em São Paulo.

Solo tenta pular para o hiperespaço mas há um defeito na rebimboca da parafuseta espacial – o que era justamente o que C-3PO estava tentando avisar. O capitão e Chewie correm para tentar consertá-la e o cara vai recitando diversos nomes diferentes de peças como abafadores aluviais, hidrochaves e Eyjafjallajökull.

Para a sorte dos heróis, logo surge um campo de asteroides para o qual Han guia a Millenium Falcon, sob protestos de Leia, que chama o cara de maluco por entrar lá, e o aviso de C-3PO de que as chances de navegar com sucesso por um campo de asteroides é de 1 em 3720 – mais ou menos a mesma probabilidade de Blade Runner 2 ser bom.

Solo calmamente responde que na vida real as pedras de um campo de asteroides tem quilômetros e mais quilômetros de distância entre si mas Leia grita “cara, estamos num filme!”, ao que Han responde “PODE CRER!” e decide esconder a nave dentro de um meteoro colossal.

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A adorável criaturinha verde

Enquanto isso, Luke localiza Dagobah e acaba enfiando sua X-Wing de cara numa lagoa pantanosa após se distrair no celular durante a entrada na atmosfera do planeta. R2 acaba caindo na água e é jogado pra fora por algum bicho. Skywalker monta um pequeno acampamento e coloca o robô dentro de um pote de arroz para tentar consertá-lo ao passo que se pergunta onde estará o tal Yoda.

Eis que o mancebo é surpreendido por uma pequena criaturinha verde que estava a observá-los. O carinha parece ser totalmente pancada das ideias, tentando comer a comida do rapaz e mexendo nas coisas do acampamento – ele fica maravilhado por uma pequena lanterna (será por que o lembra de um certo objeto que também emite luz e tem o mesmo formato? Um objeto que ele costumava ter…).

A interação entre o verdinho, Luke e R2 é totalmente fofinha e engraçada (olhaí, George Lucas, alívio cômico sem ninguém pisando em cocô), com o garoto tentando conter a bagunça do figurinha e este disputando a lanterna com o robô. Com apenas alguns minutos em cena, o pequenino já se torna um personagem completamente amável.

Vale dizer que mesmo o alienígena sendo claramente um boneco, funciona muito bem. Em termos de realismo, a marionete controlada e dublada por Frank Oz (o mesmo cara responsável pelo Sapo Caco) é melhor até do que o Yoda em CG da nova trilogia.

Quando o jovem revela estar à procura de um mestre jedi, o orelhudo diz que ele está em busca de Yoda e que o levará até o jedi. E aí dá uma gostosa risada de velho maluco e manda “primeiro precisamos comer!”. Taí um cara com as prioridades corretas.

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Falta um canalha na sua vida

De volta ao asteroide, a Millenium Falcon continua sendo reparada e Han vai ao encontro de Leia, que está tentando consertar alguma coisa e machuca a mão. O cara diz que ela gosta dele de vez em quando, ao que a moça responde “quando você não está sendo um canalha”.

Solo fica fascinado com a palavra canalha e vai chegando perto de Organa, massageando sua mão machucada enquanto coloca Marvin Gaye pra tocar. Ele vai chegando cada vez mais perto da moça e lhe diz que falta um canalha na sua vida. Leia rebate que gosta de caras gentis, ao que Han responde dizendo “omelette du fromage” e parte para o beijo, que é retribuído.

Quando o capitão pensa em chamar Leia para ver Netflix no seu quarto, C-3PO aparece interrompendo o momento para dizer super feliz e orgulhoso que consertou alguma coisa. Assim que Solo vira para agradecê-lo ironicamente, a mulher foge.

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Olá, Imperador

Dentro do Super Star Destroyer, Darth Vader é avisado de que o Imperador quer falar com ele e lhe mandou ligar o Skype. O sith vai até uma sala particular com Wi-Fi, se ajoelha e inicia a transmissão.

Pela primeira vez na trilogia clássica vemos o Imperador, uma figura encapuzada e deformada que na edição de DVD em 2004 foi substituída pelo ator Ian McDiarmid, que interpretou o cara no Episódio VI e Palpatine na nova trilogia (uma das poucas alterações justas feitas nos filmes clássicos).

O figura no holograma diz que há uma nova ameaça, o jovem rebelde que destruiu a Estrela da Morte, completando que tem certeza que o garoto é filho de Anakin Skywalker. Quando Vader pergunta como é possível, o Imperador responde que fez o teste de DNA no Programa do Ratinho. A dupla então concorda em converter Skywalker para o lado negro com biscoitos ou matá-lo.

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Olá, Yoda

Falando em Luke, de volta à Dagobah, o baixinho verde e ele estão jantando na casinha da criatura, que pergunta por que o garoto quer se tornar um jedi. Skywalker responde que achou o sabre de luz um troço muito maneiro mas que é mesmo por causa de seu pai – uma resposta relacionada a Ben ou ao confronto com Vader faria muito mais sentido para o personagem mas beleza – e a criatura diz que o patriarca foi mesmo um poderoso jedi.

O jovem pergunta como ele sabe quem o seu pai era e perde as estribeiras, dizendo “tenho cara de panqueca, seu duende maldito?! Para de me enrolar!”. A criaturinha, desapontada e aparentemente falando sozinha, afirma não poder treiná-lo porque ele não tem paciência. É aí que a voz de Obi-Wan surge e responde que Luke aprenderá a ter paciência.

Fica óbvio que o verdinho é o mestre Yoda, que diz sentir muita ira no menino, assim como em Anakin. Ben retruca perguntando se ele era diferente quando o baixinho o ensinou – o que novamente reforça que Yoda foi o mestre de Kenobi ao invés de Qui-Gon Jinn para a confusão de quem assistiu à nova trilogia antes desse filme.
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Uma pergunta sem sentido

E essa pergunta de Obi-Wan não faz muito sentido porque não vimos o cara sentir ira durante as prequências – a não ser quando Qui-Gon é morto em A Ameaça Fantasma mas ele imediatamente se vinga e fica tudo de boa.

Se George Lucas tivesse decidido manter Darth Maul vivo para desenvolver melhor a relação do jedi com ele, com Kenobi sentindo uma certa raiva e até obsessão em derrotar o assassino de seu mestre (como falamos no texto do Episódio I), beleza. Mas como não foi o caso, só fica estranho mesmo.

Sherlock Skywalker percebe que o carinha é Yoda, que prossegue dizendo que Luke é imprudente e só quer saber de farra e show do Wesley Safadão. A voz de Ben surge novamente para dizer que ele também era assim. E mais uma vez… não, não era. O Obi-Wan que conhecemos nas prequências era totalmente centrado e responsável, com raríssimos momentos de exceção.

O verdinho cede e o garoto manda que não tem medo, ao que Yoda responde como se fosse um preso veterano e Skywalker fosse carne nova na cadeia dizendo “mas vai ter!”.

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De camiseta no espaço

Na caverna dentro do meteoro onde a Millenium Falcon está escondida, Leia vê um tipo de morcego lovecraftiano e Han, Chewie e ela decidem sair da nave para investigar armados (mostrando que não morreriam tão rápido num filme de terror). É engraçado que a galera sai apenas com máscaras de oxigênio e roupas normais. No espaço. Sorte que Star Wars é fantasia e não ficção científica.

Chewie, trêmulo graças a sua abstinência, erra um de seus tiros e acerta a parede da caverna, o que faz com que tudo trema. Han, suspeito como um policial num luau na praia, dá outro disparo no chão e ao ver que o meteoro agora treme sem parar, parte desesperado pra dentro da Falcon preocupado com as porcelanas que comprou em Hoth.

Enquanto Han decola com a nave, Leia protesta dizendo que o Império está lá fora e eles não podem saltar para o hiperespaço no campo de asteroides. O grupo percebe que a entrada da caverna está diminuindo e a mulher diz que a estrutura está desmoronando, ao que Han responde “desde quando caverna tem dente, sua louca?”.

Vemos então a Millenium Falcon escapar por um triz da mordida de uma minhoca espacial gigantesca – eles estavam dentro dela o tempo todo achando que era uma caverna.

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Treinando para Rio 2016

Enquanto isso, em Dagobah, Luke começa seu treinamento brincando de Tarzan e Daiane dos Santos com Yoda em suas costas soltando palavras de sabedoria como “um jedi nunca usa a Força para atacar” e “o nome mais comum no mundo é Mohammed”.

O garoto avista uma caverna (dessa vez é uma caverna de verdade, não uma minhoca) e sente uma vibe meio barra pesada vindo dela. O mestre nanico diz que ela é forte como Michael Bay, dominada pelo mal, e manda Skywalker ir dar uma espiada lá dentro.

Contexto rápido que ninguém pediu sobre essa caverna: centenas de anos antes das guerras clônicas, um jedi chamado Minch – da mesma espécie de Yoda – derrotou um poderoso jedi caído dentro dessa caverna, fazendo com que as energias do vilão fossem absorvidas pelo ambiente.

É por isso que Yoda nunca foi detectado por Vader ou Palpatine: ele se exilou num local próximo à caverna, tendo sua presença do lado luminoso eclipsada pelas forças negativas do local.

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Nicolas Cage no espaço

Luke entra na caverna e ao avistar algumas aranhas diz “aranhas, sempre aranhas. Por que nunca podem ser borboletas?!”. O garoto logo é surpreendido por Darth Vader em câmera lenta e ambos duelam. Também em câmera lenta.

O conflito é rápido e termina com Skywalker decepando o vilão, com direito a faíscas como se fosse um episódio de Power Rangers ou uma festa muito animada de São João.

A cabeça rola pelo chão e a máscara de Vader se abre, revelando o próprio Luke por trás dela. Tudo uma visão metafórica mostrando que se o menino decapitar Vader, sua própria cabeça será transferida para o corpo do vilão dando início à versão jedi de A Outra Face.

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Sem desintegrações

A bordo do Super Star Destroyer, Vader reuniu um trupe de caçadores de recompensa para localizar a Millenium Falcon, dizendo que haverá cupons do Guanabara para quem encontrá-los. O vilão diz que os quer vivos e especificamente aponta para Boba Fett ao dizer “sem desintegrações”. Uma excelente construção de personagem com apenas uma fala.

Imediatamente após dar a tarefa para a galera, o Almirante Cara de Frouxo surge para informar que a Falcon foi localizada, deixando todos os caçadores com cara de bunda. Um deles chega a perguntar se o Império vai pagar pelo estacionamento pelo menos.

Em outro canto do espaço, nossos heróis são perseguidos por um Star Destroyer enquanto saem do campo de asteroides. Após tentar saltar para o hiperespaço sem sucesso, Han dá meia volta e dirige a Falcon rumo à nave imperial, que perde o sinal dos mocinhos quando eles passam tirando tinta da sala de comando.

Antes mesmo que o capitão do Destroyer possa gritar “BRUXARIA!”, o operador de telemarketing avisa que lorde Vader espera uma atualização, o que deixa o militar altamente apreensivo enquanto diz que irá se desculpar com o sith pessoalmente.

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Faça ou não faça

Em Dagobah, Luke continua brincando com Yoda, dessa vez plantando bananeira e jogando Jenga ao mesmo tempo. Tudo vai bem com o moleque super concentrado até que a X-Wing afunda de vez na lagoa (fãs de Star Wars deveriam substituir “a vaca foi pro brejo” por “a X-Wing foi pra lagoa”), fazendo com que Skywalker se distraia e caia de bunda no chãozinho gelado.

É então que Yoda começa a despejar sabedoria atrás de sabedoria em cima do garoto e de nós. O verdinho começa evidenciando a constante negatividade de Luke, que rebate dizendo que levantar pedras é diferente de levantar uma nave que por sua vez é diferente de fazer um bolo de chocolate sem receita.

O baixinho bate seu cajado no chão e crava: diferente não é. “Só é diferente em sua mente”. O mestre afirma que o aprendiz precisa desaprender o que aprendeu, recebendo um desacreditado “ok, vou tentar” como resposta.

Yoda solta uma firme negativa e lança um dos maiores aprendizados da saga Star Wars: “Faça ou não faça. Tentativa não há”. Luke responde que se ainda existisse MSN colocaria a frase como subnick e se prepara para erguer a X-Wing.

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Tamanho não importa

Super concentrado, Skywalker chega a levantar parte da nave acima da superfície da lagoa, o que faz com que Yoda até arregale os olhos, mas logo perde força/Força e o veículo volta totalmente para dentro d’água.

Luke se senta ao lado de Yoda para descansar e tal como uma atriz pornô diz que não consegue porque [a nave] é muito grande, recebendo outra incrível sabedoria de seu mestre: “tamanho não importa”. O verdinho o pergunta retoricamente se ele o julga pelo seu tamanho e responde que ele não deve fazer isso porque a Força é sua poderosa aliada, seguindo num belo monólogo hippie sobre energia, vida e tudo mais.

Tudo entra por ouvido de Skywalker e sai pelo outro. O jovem levanta e diz que o verdinho quer o impossível antes de se afastar. Yoda suspira e então como se fosse uma terça-feira qualquer puxa a X-Wing para fora do lago e a coloca sobre a terra – ao som de uma fantástica trilha sonora -, para o total espanto de Luke, que recebe um “chola mais” do mestre.

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Desculpas aceitas

De volta ao Super Star Destroyer, vemos o capitão que perdeu a Millenium Falcon já caindo morto no chão e Darth Vader dizendo que suas desculpas foram aceitas (que vilão, meus amigos). O militar da vez diz que eles devem ter pulado para o hiperespaço e o sith o manda calcular os destinos possíveis (hum… qualquer lugar da galáxia?).

Do lado de fora da frota imperial, vemos a Falcon furtivamente pousada num ponto cego de um Star Destroyer com a galera lá dentro fazendo “shhhhhhhh…”.

Leia, após desligar C-3PO que não calava a boca, pergunta qual o próximo passo, ao que Han responde que as naves estão se dispersando e devem jogar o lixo fora antes de entrarem na velocidade da luz. O capitão completa com a ideia de irem encontrar um antigo conhecido seu, Lando Calrissian, em Bespin.

Leia, surpresa com a astúcia do homem, o chama de Chapolin e após dizer que ele tem seus momentos, lhe dá um beijo na bochecha. A Falcon fica à deriva junto com o lixo por alguns instantes e mete o pé. Tudo parece flores até vermos a nave de Boba Fett, que também estava escondida, ligar os motores e segui-los.

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Lando, o mito, Calrissian

Após alguns problemas com naves batedoras, a Millenium Falcon obtém permissão para pousar em Bespin, cuja arquitetura lembra a Coruscant que conhecemos na nova trilogia.

A nave para em uma plataforma de pouso e nossos heróis são recebidos por uma figura suave, de capa e bigode. Você percebe que ali há uma vibe de jogador, de malandro e fera sexual até superiores a de Han. Um homem que respira o mesmo ar que nós mas expira puro swag e ginga. Senhoras e senhores, Lando Calrissian.

O ícone de estilo já chega xingando Solo, dizendo que ele tem muita coragem de voltar depois do que lhe fez, instituindo um forte clima de “vai dar ruim”. Após fingir que vai partir pra cima do capitão, Lando ri, abre um enorme sorriso e pergunta como o “velho pirata” está.

Depois de uns momentos de broderagem, descobrimos que Solo ganhou a Millenium Falcon de Lando em alguma aposta e o figura se torna ainda mais fantástico quando vê Leia. Ele imediatamente engrossa a voz pra ficar tipo aquele cara das propagandas do Old Spice e se apresenta, beijando a mão da mulher como um verdadeiro cavalheiro espacial e despertando ciúmes de Han.

Enquanto vai rolando conversa solta e camaradagem, o grupo adentra as instalações acompanhado de um careca com os headphones mais maneiros que já vi. C-3PO se separa dos outros ao escutar o som de uma unidade R2 e acaba parando numa sala onde ele não deveria estar. Alguém que não vemos pergunta quem ele é e antes que o androide possa dizer que é o entregador de pizza, toma um tiro que faz com que ele despedace inteiro.

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Yoda, a criança

Luke continua seu treinamento em Dagobah mas decide partir após ter a visão de uma cidade nas nuvens (Bespin) e seus amigos sofrendo. Yoda o avisa que precisa terminar seu treinamento, ao que o garoto responde que precisa ajudar seus amigos e tomar um bom banho.

O fantasma de Ben aparece pela primeira vez em HD para tentar dissuadi-lo dizendo que ele será tentado pelo lado negro, fazendo com que Yoda solte um “Isso! Isso! Ouça Obi-Wan!” como se o verdinho fosse uma criança discutindo com a mãe e o pai aparecesse para lhe dar razão.

Um negócio legal é como Yoda naturalmente chama Kenobi de “Obi-Wan” ao invés de “Ben”. Levando a nova trilogia em conta onde o cara era conhecido pela primeira forma, faz todo o sentido.

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Jogo de luzes

“Lembre-se da sua falha na caverna”, diz o baixinho, e Luke responde que já aprendeu muito desde então (isso foi tipo no mesmo dia de manhã, seu maluco). Fica um bate boca como se o garoto fosse o filho adotivo do casal Yoda e Ben, com Luke decidindo partir mas voltar para completar seu treinamento, para decepção de seus dois papais.

Rola uma cena muito boa durante a decolagem da X-Wing com diferentes luzes vindas da nave iluminando e deixando Yoda no escuro enquanto Obi-Wan e ele continuam conversando.

Kenobi diz que o moleque é a última esperança e seu mestre rebate afirmando que há outra – curiosamente quando uma luz vermelha está sobre ele, possivelmente reforçando o fato de haver uma mentira (ou no mínimo uma omissão) na jogada.

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Ninguém liga pro C-3PO

De volta à Bespin, Han avisa a Leia que a nave está quase pronta e a mulher diz que há algo errado rolando ali porque C-3PO desapareceu há tempo demais para estar apenas perdido. Solo lhe dá um beijinho na testa (awww) e diz que falará com Lando sobre isso.

Chewbacca, no desmanche de robôs à procura de um traficante, acaba encontrando as peças do robô dourado e as levando até a dupla. Lando surge e chama a galera pra dar uma volta – e todo mundo topa deixando C-3PO lá destruído porque ninguém liga mesmo pra ele.

Mais papo vai rolando solto, Calrissian explica que suas operações em Bespin estão sempre se preocupando com as garras do Império mas que ele acabou de fazer um acordo para mantê-los longe para sempre.

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Um jantar cheio de climão

Antes mesmo que alguém possa suspeitar dessa última frase, Lando abre a sala de jantar revelando Darth Vader, que rapidamente se levanta no fundo da mesa (que bonitinho, ele estava esperando a galera sentadinho, talvez beliscando uns queijos).

Chewbacca grita feliz porque o vilão pode ter algum contato pra cocaína e o personagem de Han é reforçado de forma excelente pelo roteiro. O cara não para e se pergunta “óh meu Deus, Vader?!”, ele não olha confuso pra Lando, ele não tenta correr. Ele imediatamente saca seu blaster e começa a atirar no vilão.

O sith para os tiros com as mãos, puxa a arma de Solo para si e diz que ficaria honrado se o trio se juntasse a ele, enquanto Boba Fett e um grupo de stormtroopers aparecem. Os heróis olham inconformados para Lando que diz que não teve escolha porque os imperiais chegaram antes deles e pede desculpas.

O grupo entra na sala, Darth Vader se senta novamente à mesa e a porta fecha. E eles… jantam? Imagina o clima dessa refeição.

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Mudança de planos

Han é torturado por Vader numa cadeira de dentista dos infernos sem que nenhuma pergunta seja feita (ou seja, só pra sacanear o cara mesmo). O vilão permite que Fett o leve para Jabba após a captura de Skywalker, enquanto Leia e o wookie “nunca mais deixarão a cidade”.

Lando, contrariado, diz que nada disso fazia parte do combinado – provavelmente o trato inicial era usar a galera apenas para atrair Luke e deixá-los livres depois. Totalmente ameaçador, o sith pergunta se o bigodudo acha que está sendo tratado com injustiça, recebendo “tô de boa” como resposta.

Em uma cela, Chewie vai consertando C-3PO – muito legal da parte dos stormtroopers levarem os restos do robô até lá ao invés de, sei lá, jogá-lo fora – mas acaba colocando sua cabeça ao contrário porque não está raciocinando direito sem sua droga. Han e Leia são levados até a sala, com a princesa se preocupando carinhosamente com o cara que está desnorteado.

O traidor e sensual Calrissian aparece para informá-los dos planos de Vader, que usou o grupo como isca para atrair Skywalker. Han dá um soco na cara de seu antigo amigo e diz que vai parar de segui-lo no Twitter. Lando diz que tem seus próprios problemas e recebe um irônico “é, você é um verdadeiro herói” como resposta de Solo.

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Mudança de planos

Numa sala cheia de fumaça e Oompa-Loompas idosos, Vader diz que a instalação será capaz de congelar Luke até que o jovem seja levado até o Imperador. Calrissian avisa que eles só usam o aparato para congelar sacolé e o sith responde que eles testarão com o capitão Solo primeiro.

O grupo é levado até a câmara e quando ordenam que Han seja colocado em posição, Chewie começa a rodar a baiana porque o cara é sua carona e é acalmado por Solo. Seu amigo diz que não vai adiantar nada fazer confusão e que ele deve cuidar da princesa. Leia e ele se beijam e a moça diz que ama o canalha, que responde – numa fala improvisada por Harrison Ford – “eu sei”. Mais uma salva de palmas para este personagem fantástico.

Han é colocado na plataforma, que desce e dá origem a um festival de fumaça como se fosse o show da Escola de Rock e o icônico retângulo de carbonita com o cara dentro é erguido. Lando checa os sinais vitais e informa que Solo está vivo e em perfeita hibernação, sendo liberado por Vader para Boba Fett.

Mais uma curiosidade que ninguém pediu: o roteiro finalizou a participação de Harrison Ford no Episódio V congelado em carbonita porque a produção não sabia se o ator voltaria para o Episódio VI – Ford queria até que o tivessem matado já nesse longa.

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R2 precisa ser castrado

Luke chega em Bespin e após passar na lojinha de presentes, vai adentrando as instalações como se fosse um ninja jedi – mas sem a parte de ninja e sem a parte de jedi. Enquanto o herói espera a hora certa de agir após ser atacado por Fett, R2 ficando se esfregando em sua perna como se fosse um cachorro tarado (sério).

Skywalker avista um grupo de stormtroopers escoltando Lando, Leia, Chewie e C-3PO e vai atrás deles, chegando na câmara de congelamento e caindo direitinho na armadilha de Vader, que surge falando que a Força está com ele mas isso não o torna um jedi ainda, apenas um jovem musculoso.

Os dois ligam seus sabres e Luke faz o primeiro ataque usando as duas mãos, ao passo que Vader se defende apenas com uma, chegando a jogar o moleque no chão. Tudo começa de forma super lenta como se ambos medissem a força/Força do adversário.

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Adeus, Han

Enquanto isso, Lando ativa os headphones de seu criado careca – ele é um robô! – que se junta a outros guerreiros (seguranças? Robôs? PMs?) para emboscar a escolta imperial.

Após desalgemar Chewie, o wookie – agressivo graças à sua abstinência -, começa a enforcá-lo enquanto Leia diz que eles não precisam de sua ajuda – na verdade precisam sim, vocês estavam presos sendo levados para a nave de Vader que havia mudado o acordo, mas beleza.

Calrissian se salva ao dizer que ainda há uma chance de salvar Han, cujo tijolo de carbonita está sendo colocado na nave de Fett em um hangar próximo.

O quarteto encontra R2 no caminho e chega atirando em vão na Slave I (é o nome da nave de Boba, a mesma que Jango pilotava) que já estava de partida. Não dá nem tempo de usar o “find my iPhone” de Han porque o grupo se torna alvo de vários stormtroopers.

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A lagartixa sith

De volta à luta, Luke tenta pagar de bonzão segurando seu sabre com apenas uma mão, que acaba voando pra longe após um golpe de Vader. Desarmado, o pseudo jedi é encurralado na beira do foço onde Han foi congelado e cai dentro dele de forma meio ridícula até. No momento em que o sith se vira para ativar o congelamento, soltando um “fácil demais”, Skywalker consegue usar a Força para dar um super pulo e fugir a tempo.

O garoto recupera seu sabre e a luta dá uma acelerada – e não fica devendo muita coisa pras batalhas das prequências não. Luke consegue empurrar o vilão em uma fenda na câmara e segue até um corredor onde reencontra Vader, que usa a Força para jogar tudo em seu alcance pra cima de Skywalker. Latinha de cerveja, microondas, até vaso sanitário voa na cara do moleque que vai tentando toscamente acertar os objetos com um timing terrível.

Vader acaba jogando um antigo monitor de PC pela janela, quebrando o vidro e fazendo com que tudo no interior do corredor seja sugado para fora – o roteiro esqueceu que eles estão numa cidade, e não numa nave espacial no meio do vácuo.

O cara de capacete abraça uma pilastra como se fosse uma lagartixa para se segurar mas Luke acaba sendo puxado e acaba pendurado numa passarela tal como um gatinho num poster motivacional “aguente firme!”.

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Corre-corre

Leia, Chewie, Lando e os robôs tentam fugir das tropas imperiais correndo pelos corredores de Bespin que estão uma confusão danada após Calrissian anunciar que o Império está na cidade. Dá até pra ouvir alguns camelôs gritando que a Guarda Imperial já está chegando para apreender tudo.

Após R2 abrir uma porta e usar sua função máquina de fumaça (não sei porque ele tem isso) para ganhar tempo, os heróis finalmente conseguem chegar na plataforma da Millenium Falcon, partindo com a nave durante uma intensa troca de tiros transmitida pelo Polícia Imperial 24h alguns dias depois.

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Karma is a bitch

No interior da cidade, Luke se recupera na plataforma e é novamente surpreendido por Vader ao tentar voltar para a parte dos corredores. É incrível como Darth Vader é incrivelmente ameaçador, ainda mais em algumas cenas nas quais temos Luke, pequenino, em primeiro plano e Vader, muito mais alto e imponente, à sua frente.

E esse gigante decidiu que é hora de parar de brincadeira. O cara parte pra cima de Skywalker de forma muito mais intensa e feroz como se o menino fosse uma gazela manca no meio do serengeti, fazendo o garoto recuar enquanto tenta fugir dos golpes, voltando para a ponte acima do abismo sem fim (qual é a lógica desse lugar? Aposto que foi o mesmo arquiteto do compactador de lixo do último filme).

Luke, claramente abaixo do nível do vilão, ainda consegue fazer algo semelhante a um corte de papel no braço de Vader, que fica enfurecido porque aquela era sua armadura favorita e arranca fora a mão direita do garoto porque Darth Vader não sabe brincar.

É interessante que se você aumentar o volume nessa parte, é possível ouvir a risada de um wampa maneta em algum lugar de Hoth.

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Uh papai chegou

Subjugado pelo vilão, Skywalker vai recuando para uma pequena plataforma no fim da passarela enquanto Vader começa a monologar. O sith diz que completará seu treinamento e que o Império tem sextas-feiras casuais, ao que Luke responde que na Aliança Rebelde todo dia é sexta casual (ele está de Havaianas).

O figura solta que Obi-Wan nunca lhe disse o que aconteceu com seu pai e Luke rebate dizendo que o ancião disse que Anakin foi comprar cigarros e nunca mais voltou – porque foi assassinado por Vader.

É então que o vilão revela que ele é seu pai. O tema musical do sith, em sua forma mais suave e lenta, sobe enquanto Skywalker começa a balançar negativamente a cabeça e fazer sua melhor imitação de um rato ao dizer que é impossível (honestamente não consigo julgar se é uma atuação muito boa ou muito ruim, sério mesmo).

 

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Vai, filhão!

Anakin diz para Luke refletir pois saberá que é verdade, ao que seu filhote responde com um sonoro “NÃÃÃÃÃOOOO!!!”. Vader diz que juntos eles podem destruir o Imperador e escutar a “Pais e Filhos” do Legião Urbana juntos em fins de semana alternados.

Skywalker Jr. pergunta se o vilão vai pagar todas as pensões alimentícias que lhe deve e quando o cara diz que não, Luke salta para o vazio do abismo.

Durante a queda, o garoto consegue entrar em um duto de ventilação que estava na lateral da construção (não faz sentido mas dá pra supor que ele meio que se guiou com a Força), passando por John McClane no caminho até chegar numa antena de rádio no fundo de Bespin – que é acima das nuvens, lembre-se, é bem alto.

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Alguém acorda o cara do raio trator

Pendurado como uma peça de maminha no açougue, Luke consegue chamar Leia pela Força, que dá meia volta com a Millenium Falcon para resgatá-lo. A nave paira logo abaixo do garoto e Lando, o mito redimido, o puxa para segurança.

A Falcon é perseguida por TIE Fighters enquanto voa para o espaço e Leia dá um beijo na boca de Luke ao falar que volta logo – parece que é sem querer, que ela queria dar na bochecha mas o ator virou (sem maldade) na hora.

Chewie ativa o hiperdrive e nada acontece, para a surpresa até de Calrissian que achou que seus homens realmente tivessem consertado a nave. A bordo do Super Star Destroyer, vemos Vader ser informado de que seus homens sabotaram a Falcon e que ela logo estará ao alcance do raio trator.

É engraçado logo em seguida a Millenium Falcon passa tirando tinta do Super Star Destroyer e… nada acontece. O raio trator não puxa a nave. Parece que o cara que fica no botão do aparato pegou no sono.

Quando os imperiais finalmente estão prestes a ativar o raio (com a Falcon mais longe do que antes), R2 consegue consertar o hiperdrive e a nave entra na velocidade da luz, deixando o Destroyer para atrás – e todos na sala de comando com uma tremenda cara de “vamos todos morrer”.

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Que roupas são essas, Lando?

Reunidos com a frota rebelde, Chewie e Lando a bordo da Millenium avisam que estão prontos para decolar – como Family Guy notou, o canalha bigodudo está usando as mesmas roupas de Han do Episódio IV, é bizarríssimo. Por que? Aquele é o uniforme padrão de piloto da Falcon? Se sim, por que Solo se importava com isso? Por que é relevante Lando usar essas roupas também? Nada faz sentido.

O malandro de Bespin avisa que entrarão em contato assim que localizarem Jabba e os caçadores de recompensa, prometendo a Leia que encontrará Han. Luke diz que eles devem se reunir no ponto de encontro em Tatooine e a nave vai embora.

Skywalker recebe uma mão robótica completamente similar ao membro normal – é maneiríssimo ver os pistões se mexendo como tendões em seu pulso aberto de acordo com os movimentos dos dedos – e vai para a janela aplaudir um sol ao lado de Leia e os robôs.

A Millenium Falcon passa voando em direção a um buraco negro enquanto Chewie, delirante, diz que a única coisa que pode viajar no tempo é o amor. Quando Lando sai para pegar uma água para o abstinente wookie, o bicho grita “MUUUUUUUUUUUURPH!!!” com todas as forças.

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35 anos depois. E aí?

Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca é facilmente o melhor e mais intenso filme da saga. Por mais que A Vingança dos Sith tenha a queda dos jedi e a ida de Anakin para o lado negro, o Episódio V consegue ser mais pesado pela forma primorosa com que os personagens são desenvolvidos, o que torna seus destinos muito mais dramáticos. O Episódio III pode ser mais grandioso em seus acontecimentos mas O Império Contra-Ataca é muito mais pessoal.

Além disso, o roteiro é amarradinho, a direção de Irvin Kershner deixa até o inspirado George Lucas do Episódio IV comendo poeira (o Lucas da nova trilogia então nem se fala), as lições de Yoda são incríveis, o plot twist no fim é completamente memorável – tanto que você vê paródias da cena até hoje em tudo quanto é canto por aí.

O filme acaba sofrendo por causa da nova trilogia nas cenas em que Obi-Wan fala como ele era na juventude e sugere que Yoda foi seu mestre, mas a culpa disso vai novamente para os ombros da prequência. Por si só, o longa tem alguns pequenos deslizes aqui e ali, mas nada que ofusque o título de melhor Star Wars e um dos melhores filmes do cinema.

O que dá vontade de falar para George Lucas após rever o filme: viu como dá certo deixar outros amiguinhos brincarem também?

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